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Silvana Nardello Nasihgil

Precisamos mesmo ter um par?

É tão triste quando a vida parece não fazer sentido sem que se esteja acompanhado(a) de alguém, quando a felicidade tem sinônimo de pares e quando a falta disso traz um sentimento de incompletude e um vazio sem fim.

Esse pensamento gera um desconforto na vida, travando as possibilidades de se ver além da angústia, cegando para o mundo e para todo o entorno.

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Então, quando a busca pela felicidade está em outra pessoa, nada parece fazer sentido, porque quando o outro não satisfaz as expectativas tudo passa a ser um vazio imensurável, ao dar de si sem critérios muita gente perde as próprias referências.

Eu só queria saber quem foi que inventou que não somos inteiros(as), quem contou que uma vida plena precisa ser vivida a dois?

Esse pensamento é escravizante, porque muita gente na ânsia de ter um par vai se enfiando em relações sem critérios, se deixando seduzir e conquistar por quem quer que seja. Nessa condição muitos espaços são ocupados por oportunistas de plantão que não veem além de um espaço para ancorar momentaneamente.

Muita gente esquece de si quando entrega o seu melhor para pessoas que muitas vezes sequer querem uma relação verdadeira, entrando na história para ocupar o tempo brincando de vida. Nesse mundo de relações líquidas, hoje vivemos o “ficar” sem qualquer critério. Pessoas mal se conhecem e já vivem todo tipo de intimidade sem qualquer comprometimento e responsabilidade emocional… uma verdadeira fábrica de inseguranças e angústias.

Baseado na falta de foco e amor próprio, muita gente coloca a vida no modo avião, aceitando passivamente tudo o que vier.

Estar pronto(a) pra adicionar um par ao viver precisa ser o capítulo seguinte ao aprendizado de estar em paz sozinhos, de saber dar conta de si, ser bem resolvido(a), se amar ao ponto de conseguir fazer uma escolha consciente, de dizer o que e como quer viver.

Aí é preciso se perguntar: qual o meu projeto de vida? O que existe de consistente nessa história que me leva a pensar que poderei ter um futuro juntos? Esse é modelo de vida que desejo viver? O que para mim é sinônimo de respeito, acolhimento, escuta, cuidado, desejo de vencer, força para buscar aquilo que preciso, quer seja material, emocional, psicológico? Quanto essa relação está de acordo com os meus valores? Quanto eu me amo e reconheço em mim o direito de escolher alguém que caiba no meu projeto? Eu sei que mereço ser amado(a)? Tenho certeza que eu mereço o melhor? Estou sendo respeitado(a), ouvido(a)?

As respostas a essas perguntas poderão trazer uma reflexão sobre as escolhas feitas, sobre o futuro, projeto de vida, sendo possível compreender as razões de viver essa busca desenfreada por um par, se é pura carência ou é verdadeiramente uma escolha.

Quem se permite viver essa busca sem critérios, sem amor próprio, coloca um desejo irracional de ter alguém com grandes probabilidades de trazer uma desconstrução desastrosa da vida, pois aceita quem for, venha de onde vier, que desequilibre tudo, que mate sonhos, que trave projetos, que crie tempestade e que desarrume tudo. Então o futuro deixa de ser real e de fazer sentido. A vida passa a ser uma enxurrada barranco abaixo e cada vez em velocidade maior, trazendo consigo em um futuro próximo muito sofrimento de toda a natureza, a perda do autorrespeito, do amor próprio e da paz.

Já dizia Carl Jung: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.

Quando se fala de pares, só o amor próprio pode autocurar a dor da falta sem critérios, prepara para a vida, permite escolhas, impõe limites, conhece o respeito, direciona a vida e traz paz.

Não é saudável esquecer de si, esquecer de todas as possibilidades ofertadas pela vida o tempo todo, ficando presos(as) na fantasia de que uma vida feliz só existe se for acompanhada de alguém. Ao se amar verdadeiramente, é muito provável que se descubra que uma vida feliz pode ser: com, sem e apesar de alguém.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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