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Editorial

Preço alto

O governo desgovernado de Michel Temer vai de mal a pior. Ensopado por denúncias que podem o levar à destituição, quem sabe renúncia, ainda não conseguiu emplacar o que Brasília cita como a mais crucial reforma para sanar o déficit nas contas públicas: a reforma da Previdência. O rombo nesse setor é notório e crescente há anos, mas o problema não é a massa que ganha um ou dois salários mínimos, mas uma pequena parcela de um dígito que abocanha quase tudo o que entra nos cofres do INSS.

O Brasil fatalmente precisa de uma reforma previdenciária, mas o rombo está não apenas na Previdência, mas por todos os lados. O rombo está nos supersalários dos três poderes, nos privilégios e regalias que se multiplicam nos gabinetes, nas aposentadorias múltiplas de governadores, senadores e outros senhores que ocupam cargos por meia dúzia de semanas, nas generosas pensões militares, nos programas infinitos de transferência de renda, nas cifras colossais que permeiam o sistema Judiciário e seus entes, nas obras superfaturadas e nos crimes econômicos.

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Ao invés disso, sem sucesso em suas empreitadas à procura de dinheiro, Temer aumenta o peso dos impostos sobre os combustíveis. Em setembro o governo federal deve promover uma avaliação sobre os impactos desse aumento, ou seja, quanto dinheiro ganhou a mais, para decidir se novos impostos terão reajustes. Mais uma vez, o povo paga o pato.

O brasileiro não apenas está pagando a mais para encher o tanque do possante. O preço de tudo sobe quando os combustíveis sobem. O mercado já estima uma inflação maior em 2017 por causa do aumento. Isso significa menor poder de compra do consumidor. Isso significa que o Jorge vai gastar menos no mercado do João. Vendendo menos, o João vai demitir a Maria e reduzir as compras do fornecedor Fernando, que vai cancelar as férias na agência de turismo do Paulo, que vai esperar para trocar o carro na garagem da Andreia, que vai deixar de investir na filial que geraria empregos.

É decepcionante admitir, mas em sua história recente o Brasil não teve um governo honesto e eficiente como o povo e a economia merecem. As pessoas trabalham meses todos os anos para alimentar uma máquina corrupta, usurpadora e cheia de vícios maléficos, que desidratam os polpudos cofres brasileiros com desonestidade sem rancor, fazendo até mesmo dos serviços públicos básicos, como segurança e educação, alguns dos piores do mundo.

Em pedaços, o governo tenta juntar os cacos, unir a base nem tão aliada assim e postergar as denúncias contra o atual presidente da República. Por outro lado, ainda deve bater o pé para aprovar a reforma da Previdência. Com um teto de vidro de larga escala, Temer tenta sobreviver o quanto pode no poder. Se fica, se não, fato é que o Brasil goza de poucas pessoas que realmente fariam a diferença nas três esferas de poder. Trocando em miúdos, não há opções para o eleitor. Enquanto não aparecer ninguém com esse perfil, o brasileiro vai continuar perdendo direitos, pagando mais impostos e assistindo a denúncias de corrupção. Um preço alto que paga a ampla massa trabalhadora e honesta desse país.

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