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Tarcísio Vanderlinde

Profetas de confiança

A história do rei Acabe (935 – 852 a.C.) e seus profetas de confiança aparece no “Livro Oitavo de Antiguidades Judaicas” do historiador Flávio Josefo. Narrativas paralelas constam também em 1Reis e 2Crônicas, escritos do Antigo Testamento. Com acréscimos, Josefo reforça muitos relatos do Antigo Testamento.

No período do reino dividido, Acabe reinava em Israel durante a fase em que, aliado a Josafá, rei de Judá, empreendeu guerra a Adade, rei da Síria. Antes de entrar em batalha, porém, Acabe resolveu ouvir o que seus profetas de confiança tinham a dizer sobre o sucesso ou eventual fracasso na ação. Eles garantiram a Acabe que não precisaria temer por um mau resultado e que triunfaria como já havia acontecido em campanhas anteriores.

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Josafá, aliado de Acabe, considerou a profecia duvidosa e teria perguntado a Acabe se não haveria algum outro profeta em seu reino que inspirasse maior credibilidade. Acabe confirmou sobre a existência de um profeta de nome Miquéias (aparece como Micaías nas narrativas bíblicas), mas que ele o odiava, e o havia feito meter numa prisão, “pois só lhe profetizava o mal e lhe tinha dado certeza de que ele seria vencido e morto pelo rei da Síria.

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Por insistência de Josafá, Miquéias foi chamado e falou que não caberia a um profeta mentir a Deus e assim diria ao rei tudo o que Ele lhe inspirasse. Ao ser pressionado que dissesse a verdade, ele falou que os israelitas seriam derrotados, mas que salvariam suas vidas ao fugir do inimigo e que somente o rei pereceria no combate.

Acabe, então, teria dito a Josafá: “Não vos havia dito que este homem é meu inimigo?”. Miquéias reafirmou diante dos reis que o que dissera fora inspirado por Deus e que aqueles outros profetas “o enganavam, aconselhando-o a empreender aquela guerra, na esperança que lhe davam de obter a vitória; ao passo que se ele empreendesse, sua ruína seria inevitável”.

Zedequias, um dos profetas aduladores mais influentes, argumentou contra a profecia de Miquéias de tal forma que acabou convencendo Acabe sobre suas mentiras. Em decorrência, Acabe teria se tranquilizado, perdera o medo e marchou destemidamente contra os sírios. Acabou sendo morto como profetizara Miquéias.

Josefo lembra dos riscos em se acreditar em profetas, “que, para agradar aos homens, só lhes dizem o que é agradável, ao passo que somente os oráculos divinos nos avisam o que nos é mais conveniente fazer ou deixar de fazer”.

 

O autor é professor sênior da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

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