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Editorial

Promessas

Chega a ser feio de ver. Às vésperas das eleições, sejam elas municipais, estaduais ou federal, as promessas de políticos para a construção de obras e ações que beneficiem os eleitores e as comunidades se multiplicam. E, inevitavelmente, na maioria das vezes, ficam só nas promessas. Alguns meses antes das urnas se abrirem, abre-se a temporada de falácias, de enganações, de ilusões. Agora é o aeroporto regional, reivindicação que o Oeste do Paraná requer há mais de duas décadas, que pode começar a sair do papel com a desapropriação da área para sua construção.

Em ano de eleição, até as obras rastejantes e desmilinguidas desse país ganham velocidade, frentes de trabalho ganham contornos. Em ano de eleição, as grandes e imprescindíveis obras, de todas as regiões do Brasil, voltam à pauta. Em ano de eleição, vale tudo por mais quatro anos no poder, inclusive prometer o que não se pode cumprir. Em ano de eleição, até parece que o Brasil vive um estado de primeiro mundo.

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No entanto, a história descortina essas falsas verdades. Toda a convicção que os candidatos têm antes das eleições cai por terra após a vitória nas urnas. Cobrados, criam empecilhos e outras inverdades para impedir que obras e ações sejam efetivadas, sejam executadas. Não é a primeira vez que o aeroporto “vai sair do papel”. Da primeira promessa até hoje, pouca mudou, a não ser o acúmulo cada vez maior de promessas.

Não é só no Paraná que isso acontece, é em todo o país. E o pior: muita gente não tem bom senso, não é crítico, tampouco participativo politicamente. Resultado: acaba votando atrás do sonho da estrada asfaltada, da escola no bairro e do dentista no serviço público, mas não leva em conta que muito provavelmente isso não vai acontecer. Ludibriados.

Política tem dessas coisas. Quem está no poder, muitas vezes, mente. Quem não está, também. É um jogo de promessas que se revela um grande puxão de tapete do eleitor. Apesar de calejado, o eleitor é muito sensível às promessas de campanha, ao marketing que maquia, às retóricas que perecem o levar às nuvens, em discursos pré-programados para emocionar e fazer sonhar com o “impossível”. Assim, ganham seguidores, apoiadores e até cabos eleitorais.

Não trata-se do aeroporto regional de Cascavel ou de qualquer outra obra prometida Brasil afora, trata-se de um cenário grotesco que repetidamente tem acompanhado as pré-eleições. Qualquer pessoa que tenha um pouco de sensibilidade sabe que o que vem da boca antes das eleições pouco deve-se dar atenção. São armadilhas do encantamento.

De quatro em quatro anos as promessas voltam à tona, emergem como submarinos esquecidos para mostrar que existem, mas voltam para debaixo da água, longe dos olhos, para caírem no esquecimento pelos próximos quatro anos.

Se as cidades terão as obras que tanto precisam, só o tempo dirá, mas é feio observar que na política as coisas nunca mudam, é triste saber que os candidatos continuam a fazer promessas sabendo que, muitas vezes, não vão realizá-las. Lamentável.

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