Silvana Nardello Nasihgil

Qual a razão de brincar de viver?

Muito triste ver que inúmeras pessoas hoje vivem em um automático e outras tantas no modo avião.

A vida vai seguindo e a consciência se esvaindo. Não são raras as pessoas que vivem em pares culpando o outro por todos os infortúnios, pela infelicidade que sentem e pela felicidade que pensam estar procurando e não encontram em seu par. Vivem num automático, sem foco, sem eira nem beira e não conseguem se responsabilizar pelas próprias escolhas.

Casa do Eletricista – Clorador Agosto

Então, é hora de repensar a vida e o que se tem feito para que ela flua suave e feliz.

Muitas das culpas que atribuímos ao outro, em um pensamento mais refinado e uma reflexão daquilo que se tem vivido, trazem à tona atitudes e vivências que se ousam mascarar quando se distorce a realidade buscando uma satisfação sem ser feita a contrapartida.

Muitos casais vivem cada um cuidando da sua vida, alimentando o seu ego e se permitindo todo tipo de liberdade que não cabe de jeito nenhum quando alguém se propõe viver em pares.

Com aquilo que se permite deixar faltar na relação, usa-se o espaço externo para preenchê-lo. Esse é o caminho mais inadequado que possa existir. Com o tempo vai se instalando um empoderamento transverso, aonde os elogios e tudo o que se entende como positivo vem de fora, muito provavelmente de alguém que percebe um espaço vazio e busca ocupá-lo por diversão.

É fácil a gente perceber quando as relações começam a se diluir. Homens e mulheres criam projetos solo, passam a se arrumar mais, cuidar do corpo e buscam coisas novas sem ter como justificá-las. Cada um vai para um lado e aquilo que era parceria deixa de existir.

Muitas vezes cria-se um ambiente de descompasso em que a falta de respeito através de brigas e palavrões se instala para sinalizar que se caminha para um fim.

Na angústia de viver o “momento de glória” de se estar sendo percebido(a) e “valorizado(a)” por alguém, passa-se a desprezar o(a) parceiro(a) e, sem se dar conta da emboscada, caminha-se fatalmente para a diluição do projeto de vida que um dia já foi o centro de tudo.

Então, é hora de parar para refletir e se perguntar: eu tenho feito pelo meu/minha parceiro(a) o que venho fazendo por outra pessoa?

E se eu conhecesse meu parceiro(a) hoje, como eu agiria?

Quanta atenção eu dispensaria?

Quantas vezes ao dia eu o/a procuraria para dizer que estou feliz, que a pessoa me faz bem, que sinto saudades?

Há quanto tempo eu não me arrumo para estar com meu/minha parceiro(a) só pelo prazer de agradar?

Continuando…

Será que tudo de ruim que tenho creditado ao meu/minha parceiro(a) é fato ou eu distorço as verdades para me sentir menos culpado(a)?

Pois é, chega uma hora que a gente precisa ter maturidade e se perguntar a razão de estar brincado de vida, quando a vida é algo tão sério e o mínimo que precisamos ter é respeito pelos sentimentos dos outros.

Cada qual que olhe para dentro de si e avalie o que gostaria de viver e se pergunte por último: estou fazendo a minha parte para estar em paz e encontrar o amor que desejo viver?

Não dá para cobrar do outro aquilo que não se faz, esperar que o outro faça aquilo que está no nosso imaginário quando se bloqueiam todas as passagens.

É preciso refletir, avaliar, considerar, olhar para as próprias atitudes. Só assim é possível ter clareza sobre a vida e os acontecimentos.

Chega uma hora que a realidade precisa se opor à fantasia para se ter desveladas as verdades daquilo que se busca.

 

Psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

TOPO