Pref. MCR Ecoturismo_
Silvana Nardello Nasihgil

Quando a vida deixa de ter cor

Quantas vezes na vida a gente se sente sozinho, perdido e sem rumo? Quantas vezes o presente passa a deixar de existir e o futuro parece inalcançável? Quantas vezes perdemos o direito de escolhermos o que viver e nos sentimos inúteis, sem amor para dar e sem condições de vê-lo, para receber? Quantas vezes continuamos por que não sabemos como fazer para desistir?

Quando a vida deixa de ter cor, quando tudo parece envolto por uma névoa escura, se perde o rumo e nada mais parece fazer sentido. Vivemos porque não existe voltar atrás na vida, e como que automaticamente vamos deixando os dias começarem e terminarem, cobertos de incertezas e angústias.

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Então, ao permitirmos que a vida seja processada dentro de nós como se não existisse nada positivo a ser relevado, abrimos portas extremamente convidativas para que o “mal do século”, a depressão, encontre um terreno fértil para se instalar, trazendo consigo um sofrimento sem fim.

Ao desconsiderarmos todas as possibilidades e acontecimentos positivos, passamos a enxergar a vida como se fôssemos o único habitante da terra. Por mais que possa parecer estranho, algumas pessoas, não enxergando mais saída, passam a usar a depressão como seu “bicho de estimação”, se vitimizando e buscando ganhos com isso. Em contrapartida, a grande maioria sofre muito, ao ponto de se perder de si e, sem rumo, não encontra esperanças, não vê mais sentido em nada, acreditando que esse será o seu fim.

Deixando todos os conceitos da psicologia e da neurociência, escrevo esse texto de forma simples e clara para que se possa compreender que depressão é doença, para trazer esperanças, e para dizer que a depressão tem tratamento. Por mais que pareça distante alcançar novamente o equilíbrio e a acomodação das angústias, existe a possibilidade de serenar esse mal e encontrar de volta as esperanças perdidas.

Ao invés de se lamentar é preciso buscar ajuda. Um psicólogo(a) bem formado(a) terá condições de realizar um tratamento adequado, podendo, se necessário, encaminhar a um psiquiatra, onde as duas ciências em conjunto terão condições de dissipar esse mal.

Não se pode crer que a depressão se cura por si só, com “achismos”, como se fosse puro “mimimi”, em que qualquer curioso que se diz capaz de curá-la venha obter êxito.

É preciso ser encarada com seriedade, pois é algo grave. Se não tratada adequadamente poderá desenvolver concomitantemente outras patologias tão ou mais graves que ela.

É difícil demais observar que muitas pessoas podem ser ajudadas, mas, talvez a falta de informações, lhes prive de se libertar dos sofrimentos que as afligem.

A depressão requer uma atenção especial das pessoas que convivem com quem apresentar sintomas. As famílias também precisam estar atentas, observar quando alguém muda de comportamento, olhar com seriedade e deixar de achar que tudo é normal e que vai passar.

Precisamos ser solidários com o sofrimento alheio, compreender e se disponibilizar para ajudar. Importante buscar a compreensão daquilo que é um sofrimento, luto, daquilo que é doença. Sofrimento é algo com causa, um luto, perda de emprego, separação… situações que pela sua natureza geram angústia. Agora, quando isso persistir por muito tempo, quando tudo parecer estável e a pessoa estiver mal, não é aceitável que se deixe de buscar compreender o contexto e que se abstraia o dever de buscar auxiliar, procurando ajuda profissional.

Quem sofre desse mal, dependendo da gravidade, muitas vezes está sem condições de discernir. Vive um desânimo tão intenso que gera em si um comportamento de “tanto faz”. É com o olhar de quem convive, família, amigos e, inclusive, colegas de trabalho que muitas vezes é possível “salvar” alguém dessa prisão terrível que a depressão condena.

Nosso olhar de amor estendido ao que sofre pode resgatá-lo de uma vida escura e sem futuro e ajudá-lo a enxergar a luz.

Quem ama cuida. A gente precisa lembrar sempre disso. Quem ama se importa, quem ama se compromete, quem ama quer ver o outro feliz.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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