Copagril
Editorial

Quem deve, teme

 

Mas que história mais cabulosa é essa? O senador Flavio Bolsonaro pediu e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, mandou suspender provisoriamente a investigação instaurada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para apurar movimentações financeiras de Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flavio, consideradas atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Esse órgão apontou movimentação de R$ 1,2 milhão na conta bancária de Queiroz durante um único ano. Mesmo não sendo investigado, o filho do presidente agiu para tentar abafar o fogo que permeia a família de Bolsonaro logo nos primeiros dias de governo. Quem vai decidir se o processo é encerrado ou não é o ministro Marco Aurélio Mello, que goza de recesso do STF até dia 31 deste mês.

Flavio Bolsonaro também pediu que as investigações do caso fiquem sob responsabilidade do STF e que as provas coletadas até então sejam anuladas. Causa, no mínimo, estranheza, afinal, quem não deve não teme (e vice-versa). Talvez, o tiro tenha saído pela culatra.

Autoridades em Brasília avaliam que essa investigação possivelmente seja ampliada a partir de agora, ganhando braços que podem chegar à primeira-dama, Michelle, e ao próprio presidente, que, apesar de não poder ser indiciado por crimes que supostamente cometeu antes do exercício presidencial, pode ser investigado.

O caso envolve ainda movimentação de outros 74 servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio. Ele faz parte de um desdobramento da Lava Jato naquele Estado e que já levou dez deputados estaduais à prisão. Ou seja: não é perseguição ou coisa parecida, é a Lava Jato em ação. Interromper as ações da Lava Jato é um crime contra o Brasil. Aliás, em campanha eleitoral Bolsonaro defendeu com unhas e dentes a continuidade da operação da Polícia Federal que descortinou (e continua a descortinar) o maior e mais horrendo esquema de corrupção da história desse país.

O brasileiro clamou por mudanças na condução desse país e por atitudes honestas na política. Ninguém deve ter regalias e privilégios na Justiça. Quem é investigado precisa continuar a ser investigado até que seja julgado, condenado ou absolvido, sem meias palavras, sem argumentos pífios ou enrolações da velha, clássica e insistente política que se faz no Brasil. Seja Bolsonaro, Queiroz, Lula, Calheiros ou quem quer que seja, há de se investigar até que a verdade apareça. Doa a quem doer, mas a dor de ver corruptos impunes o povo brasileiro não quer mais experimentar.

Queiroz já foi chamado para dar explicações a quem lhe investiga, mas por duas ocasiões não compareceu alegando problemas de saúde (tá ficando feio usar essa tática para ganhar tempo). Se não tivesse nada de errado, supostamente seria o primeiro interessado em responder ao Ministério Público e acabar com as suposições que permeiam a investigação. Ao invés disso, seu ex-chefe pede que o caso seja suspenso. Quem deve, teme.

 

 

 

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