2º Agita Rondon – 2019
Editorial

Quem deve, teme

 

Mas que história mais cabulosa é essa? O senador Flavio Bolsonaro pediu e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, mandou suspender provisoriamente a investigação instaurada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para apurar movimentações financeiras de Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flavio, consideradas atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Esse órgão apontou movimentação de R$ 1,2 milhão na conta bancária de Queiroz durante um único ano. Mesmo não sendo investigado, o filho do presidente agiu para tentar abafar o fogo que permeia a família de Bolsonaro logo nos primeiros dias de governo. Quem vai decidir se o processo é encerrado ou não é o ministro Marco Aurélio Mello, que goza de recesso do STF até dia 31 deste mês.

Casa do Eletricista PISCINAS

Flavio Bolsonaro também pediu que as investigações do caso fiquem sob responsabilidade do STF e que as provas coletadas até então sejam anuladas. Causa, no mínimo, estranheza, afinal, quem não deve não teme (e vice-versa). Talvez, o tiro tenha saído pela culatra.

Autoridades em Brasília avaliam que essa investigação possivelmente seja ampliada a partir de agora, ganhando braços que podem chegar à primeira-dama, Michelle, e ao próprio presidente, que, apesar de não poder ser indiciado por crimes que supostamente cometeu antes do exercício presidencial, pode ser investigado.

O caso envolve ainda movimentação de outros 74 servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio. Ele faz parte de um desdobramento da Lava Jato naquele Estado e que já levou dez deputados estaduais à prisão. Ou seja: não é perseguição ou coisa parecida, é a Lava Jato em ação. Interromper as ações da Lava Jato é um crime contra o Brasil. Aliás, em campanha eleitoral Bolsonaro defendeu com unhas e dentes a continuidade da operação da Polícia Federal que descortinou (e continua a descortinar) o maior e mais horrendo esquema de corrupção da história desse país.

O brasileiro clamou por mudanças na condução desse país e por atitudes honestas na política. Ninguém deve ter regalias e privilégios na Justiça. Quem é investigado precisa continuar a ser investigado até que seja julgado, condenado ou absolvido, sem meias palavras, sem argumentos pífios ou enrolações da velha, clássica e insistente política que se faz no Brasil. Seja Bolsonaro, Queiroz, Lula, Calheiros ou quem quer que seja, há de se investigar até que a verdade apareça. Doa a quem doer, mas a dor de ver corruptos impunes o povo brasileiro não quer mais experimentar.

Queiroz já foi chamado para dar explicações a quem lhe investiga, mas por duas ocasiões não compareceu alegando problemas de saúde (tá ficando feio usar essa tática para ganhar tempo). Se não tivesse nada de errado, supostamente seria o primeiro interessado em responder ao Ministério Público e acabar com as suposições que permeiam a investigação. Ao invés disso, seu ex-chefe pede que o caso seja suspenso. Quem deve, teme.

 

 

 

TOPO