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Tarcísio Vanderlinde

Quem escondeu os pergaminhos?

A descoberta acidental dos pergaminhos do Mar Morto no ano de 1947 aumentou a credibilidade dos textos relacionados ao Antigo Testamento utilizados no tempo presente. É a descoberta mais importante referente a textos bíblicos antigos. O museu do livro em Jerusalém guarda os originais do achado. Próximo às cavernas de Qumran pode-se ver cópias dos achados que também se encontram disponibilizados pela internet ou em outras publicações. O local da descoberta é de fácil acesso e pode ser visitado por peregrinos que se dirigem à Terra Santa.

Aí vem a pergunta: quem deixou ou escondeu os pergaminhos naquelas cavernas? O arqueólogo Rodrigo Silva pesquisou este assunto e o discute utilizando-se da analogia do desaparecimento da Arca da Aliança. A arca teria sido escondida em algum lugar em Jerusalém diante da iminência do ataque de Nabucodonosor à cidade, e ali estaria oculta em algum lugar ainda não descoberto até hoje. A crença é compartilhada por muitos judeus e cristãos. Mas existem outras versões sobre o paradeiro da arca.

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Quanto aos Manuscritos do Mar Morto, pode ter havido procedimento semelhante. Alguns estudiosos acreditam que os manuscritos foram trazidos às pressas de Jerusalém (possivelmente da biblioteca do templo) para serem guardados nas grutas como medida de precaução devido ao avanço dos romanos sobre Jerusalém. A hipótese faz algum sentido, pois próximo às cavernas se localiza a fortaleza de Massada, último reduto de resistência judaica contra o exército romano.

Outra hipótese sugere que alguns dos manuscritos podem ter sido copiados no próprio local. A localização de restos de uma comunidade judaica que havia no platô fortalece esta hipótese. Ali havia uma escola que abrigava quartos, refeitórios, local de culto e um ambiente especial para o trabalho dos copistas. Foram encontrados ali também material utilizado para fazer cópias. A posição é compartilhada pelo líder judeu-messiânico Daniel Juster.

Informações sobre esta comunidade chegaram até nós através dos escritos dos historiadores Plinio, o Velho e Flávio Josefo. Consta que o grupo era extraordinariamente interessado em escritos antigos. Há ainda a suposição de que o local abrigava uma escola de sacerdotes que foi obrigada a migrar para o deserto por causa de perseguições religiosas em Jerusalém.

Rodrigo Silva observa que, seja qual for a versão da teoria assumida, o fato é que o achado acabou mostrando para o mundo a integridade textual de mais de 90% da Bíblia Hebraica, motivo suficiente para comemorar a importância da descoberta.

 

O autor é professor da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

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