Dom João Carlos Seneme

Quem perder sua vida vai ganhá-la

No domingo passado, acompanhamos a manifestação de fé de Pedro e da comunidade dos discípulos em Jesus, o Filho do Deus vivo. Neste mesmo contexto Jesus confirma a fé de Pedro como fundamento para a nova comunidade de fiéis, a Igreja. Hoje, Jesus continua a ensinar seus discípulos e não lhes esconde que o seguimento de Jesus pode conduzir ao sofrimento, à perseguição e inclusive à morte. A apresentação de um messias (salvador) sofredor, derrotado é muito estranha para a mentalidade dos judeus. A esperança dos discípulos e dos ouvintes é a figura de um salvador vitorioso, poderoso que, com sua força, deveria expulsar os que oprimem o povo e dar lugar a um novo governo: Deus colocando num lugar digno o povo escolhido, o povo de Deus. Repentinamente Jesus começa a falar que o caminho para a ressurreição passa pelo sofrimento e pela morte na cruz. Pedro não concorda com este resultado e opõe-se decididamente a que Jesus caminhe nesta direção e os leve consigo. “Deus nos livre de tal destino! Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!”. Isto indica que a compreensão dos discípulos ainda é imperfeita. Eles seguem a lógica do mundo. Jesus compreende a reação de Pedro e o corrige porque é necessário que os discípulos estejam preparados e comecem a aceitar a perspectiva de Jesus e o plano do Pai que Ele vem realizar. Jesus revela que o amor ao Pai e aos irmãos é mais forte do que tudo, mesmo que o caminho passe pela morte na cruz. Jesus está disposto a tudo para tornar realidade o desejo de Deus: um mundo mais justo, digno e feliz para todos. Ele espera que os seus seguidores também estejam dispostos a assumir as consequências deste caminho. “Quem quiser salvar a sua vida, há de perdê-la, mas quem perder a vida por amor de mim, há de encontrá-la”. Aceitar esta lógica significa colocar-se a caminho, arriscar, perder-se para encontrar-se num nível mais profundo e generoso.Renunciar a si mesmo significa renunciar ao seu egoísmo e autossuficiência para fazer da vida um dom a Deus e aos outros. O cristão não pode viver fechado em si próprio, preocupado apenas em concretizar os seus sonhos pessoais, os seus projetos de riqueza, de segurança, de bem-estar, de domínio, de êxito, de triunfo. O cristão deve fazer da sua vida um dom generoso a Deus e aos irmãos. Só assim ele poderá ser discípulo de Jesus e integrar a comunidade do Reino.O que é que significa “tomar a cruz” de Jesus e segui-lo? A cruz é a expressão de um amor total, radical, que se dá até à morte. Significa a entrega da própria vida por amor. “Tomar a cruz” é ser capaz de gastar a vida – de forma total e completa – por amor a Deus e para que os irmãos sejam mais felizes. Bem afirmou São Paulo: “a mensagem da cruz é loucura para os que se perdem; para os que se salvam é força de Deus” (1Cor 1,18-19). Para compreender esta dinâmica precisamos da fé, dom de Deus. A morte e ressurreição do Salvador é a fonte e o modelo do nosso perder-se para nos reencontrar, do nosso morrer para viver. Este evento se repete agora diante dos nossos olhos no sacrifício da missa. Senhor, ensinai-nos a perder-nos para nos reencontrar em vós para a vida eterna. Neste último domingo de agosto celebramos o Dia do Catequista, e queremos nos congratular com todos, mulheres e homens, que oferecem o seu tempo para ajudar tantos irmãos e irmãs a encontrar-se pessoalmente com Cristo e tomar a decisão de segui-lo de perto, vivendo em comunidade na Igreja e testemunhando o seu amor no mundo. Ser catequista é colaborar para inserção de alguém na comunidade cristã, não apenas transmitindo doutrina, mas favorecendo uma experiência de fé. Obrigado, catequista! O seu ministério enriquece nossa Diocese. 
* O autor é bispo da Diocese de Toledo
revistacristorei@diocesetoledo.org

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