Brincando na Praça 2019
Elio Migliorança

QUEM PERDEU?

Na desclassificação da Seleção Canarinho, sobraram torpedos em todas as direções, e irados torcedores vociferam contra o técnico, contra este ou aquele jogador, e se todas as pedras fossem atiradas ao mesmo tempo, provavelmente a Seleção desembarcaria na sombra. Sim porque tantas pedras encobririam a luz do sol. É natural esta ressaca dos torcedores, que incorporaram de tal forma a falsa ideia de que somos invencíveis, fruto do exagero midiático, ao ponto de não acreditarmos no que estávamos vendo. O que aconteceu foi natural. Jogo é jogo. São 11 contra 11. Os outros fizeram o tema de casa da mesma forma que nós, só foram melhores na apresentação.
Não entendo nada de futebol, mas me parece que o que o Dunga mais queria era que a Seleção fosse vitoriosa. E com ele todos os jogadores, até porque o salário deles está diretamente ligado ao seu desempenho, nos clubes onde atuam. Dia destes uma aluna em sala de aula retratou bem o nosso sentimento em relação à vitória: é uma alegria que passa rápido, um dia depois aquela sensação já passou e você está à procura de novas emoções. Assim será com a derrota. Logo passa.
E quem está mais indignado com a derrota: a CBF e o seu proprietário Ricardo Teixeira. Pensa quantos milhões poderia barganhar em patrocínios e outros negócios com a seleção hexacampeã. E os meios de comunicação então? Quantos milhões em propagandas naqueles preciosos horários de intervalos nos jogos da Seleção, quando mais de 100 milhões de brasileiros estão ligados na telinha. Aliás, porque a Petrobras fez tanta propaganda durante o mundial? Tem o monopólio do petróleo nacional, não tem concorrentes, precisa de propaganda para quê?
Na propaganda sempre aparecia uma pergunta: o que está por trás dessa empresa? E a resposta: os brasileiros iguais a você e a nós. Faltou dizer que nós estamos por trás pagando a conta, enquanto os meios de comunicação estavam lavando de ganhar dinheiro.
A mídia está indignada porque deixou de faturar grande sem a Seleção na copa. As fábricas de bandeiras, camisetas e outros adereços terão parte do estoque encalhado. Aliás, acabou o patriotismo porque as bandeiras sumiram. Mas, quem ama mesmo este país deve estar consolado. Quanto economizaremos no futuro em prêmios e aposentadorias para os jogadores? Vai que no futuro outro “aloprado” quisesse premiar e aposentar os novos heróis do hexa! Assim estamos livres do compromisso. E também não haverá político querendo capitalizar para si a honra e os méritos pela conquista e com isso influenciar o eleitor na hora do voto. E não teremos mais dispensa de trabalho para assistir aos jogos, e assim milhões de trabalhadores vão produzir riquezas para o país.
Enquanto jogadores em outros países foram recebidos com festa, os nossos quase não conseguiram sair do aeroporto. Pura dor de cotovelo de quem não foi convocado e de quem embarcou na onda achando que o Brasil é o único que entende de futebol. Prepare seu coração. Perdemos lá fora, mas aqui somos campeões em corrupção e falta de ética. Até a lei da ficha limpa corre o risco de ir pro brejo.

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