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Dom João Carlos Seneme

Quem quiser ser o maior, seja o primeiro a servir

Desde domingo passado estamos acompanhando as dificuldades dos discípulos em compreender a missão de Jesus. Eles representam a “sabedoria do mundo” e Jesus revela a “sabedoria de Deus”. Duas realidades que não se misturam porque uma acentua o poder, a busca dos primeiros lugares, a competição, enquanto o Messias de Deus fala da cruz, do serviço aos mais fracos. Enquanto se trata de Jesus atrair multidões, fazer milagres, ficar famoso, tudo bem: os discípulos estão no maior entusiasmo com Ele. Mas quando Jesus fala de morte, de sofrimento e de serviço, não entendem a sua proposta.

Saindo de Cesareia de Filipe, Jesus se dirige a Cafarnaum e quer ficar a sós com seus discípulos para ouvi-los e ajudá-los a compreender todos os acontecimentos da viagem. A casa de Pedro em Cafarnaum, onde Jesus se hospeda, fica à margem do lago e ela se torna uma escola para os apóstolos. Os discípulos continuam sem compreender a mensagem de Jesus e o seguem com a partir de seus critérios humanos. É preciso entrar no mistério de Deus em Jesus Cristo.

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A pergunta de Jesus: “sobre o que discutíeis pelo caminho?” é constrangedora e reveladora, por isso os discípulos ficam calados. Não se atrevem a responder porque têm vergonha. O momento é propício para ensinar e introduzi-los nos mistérios de Deus e os valores do Reino que Jesus veio instaurar.

Jesus fala sobre a atitude fundamental do verdadeiro discípulo: o serviço à comunidade. “Se alguém deseja ser o primeiro seja o último e servidor de todos”. Toma uma criança, símbolo da fragilidade e dependência dos adultos para sobreviver, e retoma o tema do serviço. Toda comunidade cristã deve colocar no centro de suas atividades o mais fraco e servi-lo com alegria e humildade. É um critério de avaliação para todas as nossas ações como discípulo missionário de Cristo. “Todo aquele que recebe um destes pequeninos em meu nome, a mim é que recebe”. Percebemos que o centro é sempre Jesus e seu projeto. Se aprendemos a olhar o outro como destinatário de nosso amor, estamos na direção de Deus e no caminho da salvação.

O Evangelho de hoje nos convida a estar naquela casa com Jesus e perceber que na vida muitas vezes nossas conversas e ações giram em torno de ser os primeiros, os maiores. Esta é a regra do mundo! Ouvir suas palavras nos instruindo a valorizar o serviço aos outros, começando por aqueles que não têm ninguém que os escute ou que lute pelos seus direitos. O que podemos fazer é deixar que estas palavras entre dentro de nós e chegue aos nossos corações e nos converta: voltar a ser criança significa retornar ao momento em que fomos criados por Deus e perceber que precisamos de muito pouco para ser feliz. Não é uma atitude fácil porque tudo ao nosso redor nos leva a pensar “quem é o maior, o melhor; como sobreviver sem ser engolido pelas regras de um mundo desumano”. Parar ouvir Jesus é preciso repensar a nossa forma de viver na sociedade e dentro da própria comunidade cristã. Peçamos ao Senhor que estas verdades entre em nossos corações e que o Espírito Santo nos fortaleça para colocá-las em prática.

 

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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