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Quem reclama?

A pandemia que estamos vivendo desviou nossa atenção de uma série de medidas que estavam sendo costuradas para fazer as reformas que o Brasil precisa e de repente fomos afastados das rotinas diárias para o isolamento e para reaprender a viver em comunidade. Mas aos poucos a vida vai retomando seu ritmo, vamos descobrindo qual será o novo normal da vida pós-pandemia e começamos a prestar atenção nos temas em debate que vão impactar nossa vida daqui pra frente. E nesta retomada dois temas estão incendiando os debates nacionais.

O primeiro atende pelo nome de “inquérito das fake news”. Iniciado no Supremo Tribunal Federal (STF), é coordenado pelo ministro Alexandre de Moraes. E a gritaria é muito grande. E de quem são as vozes mais estridentes? Certamente daqueles que produzem e se beneficiam da divulgação de notícias falsas. Um gigantesco esquema de desinformação foi criado e difundido nas redes sociais, cujos efeitos colocam em risco o sistema democrático conquistado a duras penas nos últimos 30 anos. Com a propagação articulada da desinformação, você consegue manipular uma parcela considerável da população e com isso destrói biografias, demoniza adversários e consegue poder político. Um esquema gigantesco, financiado por grupos fortes, vai cuspindo absurdos e fazendo uma verdadeira lavagem cerebral naqueles que fazem parte do esquema piramidal.

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Sim, é um esquema em forma de pirâmide com um comando central que se subdivide em comandos regionais responsáveis pela formação de redes de seguidores aos quais são destinadas as notícias criadas que são distribuídas através destas redes. Há muito dinheiro investido nestes esquemas porque eles custam caro, mas a recompensa vem através de cargos e contratos de serviços com o Poder Público.

Os chefões dos esquemas de fake news conseguem destruir adversários e conquistar o poder. Quem mais reclama das investigações? Aqueles que delas se beneficiam ganhando dinheiro e poder. O esquema não é privilégio da direita e nem da esquerda, há esquemas com diferentes cores partidárias e é necessário destruí-los para o bem daqueles que respeitam a lei e a ordem.

É muito estranho que alguém possa defender a criação e disseminação de notícias falsas. Liberdade de expressão sempre, mentiras nunca.

Outro setor em ebulição é a articulação para acabar de vez com a Operação Lava Jato. Vítima de outras tentativas no passado, o esquema para sepultar de vez toda a operação tem a adesão da direita, da esquerda, do Centrão e de uma parcela considerável dos escritórios de advocacia que ganham milhões defendendo criminosos do colarinho branco, especialmente os corruptos. E os corruptos são tantos que parece estarmos em desvantagem, nós que acreditávamos na perenidade da operação. Sem esquecer que uma parcela do STF também joga junto, pois nunca foi segredo que havia muito ciúme na Suprema Corte com relação à Lava Jato pelo apoio popular que a mesma angariou.

A Lava Jato mandou centenas para a cadeia e recuperou muitos milhões do dinheiro desviado, enquanto o STF julgou apenas quatro casos ligados à operação e mandou um para a cadeia.

Condenar as fake news e defender a Lava Jato é uma questão de patriotismo e bom senso. Faço a minha parte, cada um consulte o tribunal da sua consciência e tome uma atitude.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

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