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Editorial

Quem serão nossos filhos?

Há poucos dias uma ex-funcionária do Facebook deixou o mundo em alerta ao revelar o perigo que as redes sociais podem trazer para as crianças e até mesmo para a democracia. De acordo com ela, estudos internos da empresa, detentora de outras gigantes das redes sociais, como WhatsApp e Instagram, demonstram que o algorítimo usado para selecionar os conteúdos pode, por exemplo, estimular o ódio entre os mais novos – e entre os mais velhos também.

Apresentando milhares de documentos internos do Facebook que embasam suas críticas, ela colocou o mundo em alerta. Não que fosse segredo que muitas vezes o Facebook te direciona a “locais” não desejados, que um comentário seu possa causar revolta nos outros usuários ou que aquela moça do chamado corpo perfeito não possa diminuir a autoestima de pessoas com características físicas diferentes. Isso é fácil de reconhecer.

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O problema é que o Facebook sabia disso e não fez nada para melhorar. Nas palavras da ex-funcionária, em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos, tudo para gerar lucros bilionários.

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Os perigos da internet, especialmente para crianças e adolescentes, são rotineiramente desprezados pela sociedade como um todo. Pouco se fala, pouco se estuda os conteúdos que elas consomem. É só lembrar daqueles desafios de automutilação, suicídio e outras barbaridades que são propostos aos mais jovens. Conteúdo sexual, técnicas de terrorismo, construção de artefatos. A internet oferece de tudo. Tudo mesmo.

Não bastasse luz a essa situação, o mundo vive quase dois anos de pandemia. Exceto os mortos, as sequelas e a dor das perdas, as crianças e adolescentes são uma classe que sofreu e sofre com os tempos do coronavírus. Mais que isso, sofrerá.

O ensino a distância, implantado aceleradamente, a toque de caixa, trouxe inúmeras dificuldades, a começar pelo acesso à internet. Quem não teve esse acesso garantido – e foram milhões em todo o Brasil – está sofrendo ainda mais pela ineficiência do aprendizado.

Com a volta às aulas presenciais, nos próximos meses e anos será possível mensurar com mais assertividade o quanto o distanciamento social e as aulas on-line impactaram, positiva e negativamente, na vida desses alunos.

Hoje (12) é comemorado o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil para os católicos, e lembrado também o Dia das Crianças. É uma data especial, que merece uma reflexão mais profunda sobre o papel dos adultos e das instituições públicas na educação e formação deles e delas.

Milhares de crianças não têm acesso a itens básicos para uma vida justa, como acesso à água tratada e esgoto. Na outra ponta, estão sendo criados meninos e meninas de acordo com o que essa ou aquela empresa propõe. É preciso olhar com mais carinho a forma com que estamos criando as novas gerações, seja permitindo a eles oportunidades básicas, seja observando mais atentamente os perigos inerentes às redes sociais.

Quem serão nossos filhos? Boa parte da resposta está em nós mesmos.

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