Elio Migliorança

Reações do bem e do mal

 

O que parecia unanimidade nacional, o juiz Sergio Moro como ministro da Justiça, ministério que será turbinado pela fusão com o Ministério da Segurança ao qual anexa-se ainda a Controladoria Geral da União (CGU) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), acabou provocando reações do bem e do mal.

Reações do bem foram daqueles que aplaudiram a escolha. Pessoas que trabalham, pagam seus impostos em dia e estão cansados da roubalheira e querem o Brasil passado a limpo, e Sérgio Moro é “o cara” indicado para tal. Mas tivemos reações contrárias, as do mal, protagonizadas por sonegadores e devedores de altas somas de impostos não pagos, acostumados a renegociar ou até serem perdoados das dívidas pagando propina aos responsáveis pela cobrança. Estes criticaram a escolha porque sabem que sua hora vai chegar. É o direito ao esperneio.

Na onda barulhenta deste grupo surgiu uma terceira onda, daqueles que curtem uma gigantesca “dor de cotovelo” porque almejavam ser convidados para o cargo e viram um juiz de 1ª instância alçado ao cargo de maior poder na Justiça nacional.

Para os menos atentos é difícil perceber a esperteza dos que fazem barulho como se defendessem a pátria quando na verdade defendem seus interesses e seus egos. As vozes vindas de outros países mundo afora elogiaram a escolha. Para o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que inúmeras vezes criticou o trabalho realizado pela Lava Jato, foi feito um favor, pois terá agora a oportunidade de realizar um desejo antigo várias vezes manifestado publicamente ao declarar que “temos que acertar as contas com o direito penal de Curitiba”.

Agora, o responsável maior pelo que ele chamou de direito penal de Curitiba será seu vizinho em Brasília, basta atravessar a rua e fazer o acerto de contas, mas a melhor parte é que o direito penal de Curitiba servirá de modelo para o Brasil.

Para bem entender a reação de vários ministros do STF com relação à Lava Jato, era pura inveja; alguns não engoliam o apoio e a esperança do povo no trabalho realizado em Curitiba, cujo expoente maior é Sergio Moro. Certamente alguns ministros do STF contribuíram com a eleição de Jair Bolsonaro, provocando a revolta da população ao mandarem soltar alguns condenados famosos tipo José Dirceu, também Paulo Maluf, que só foi preso depois de 40 anos de recursos protelatórios, ficando poucos meses preso e agora repousa tranquilo na sua mansão, ou ainda Jacob Barata, preso preventivamente pela Lava Jato e solto por Gilmar Mendes três vezes, entre muitos outros.

Não por acaso que Gilmar Mendes foi chamado de “campeão da libertadores” em 2017, por conta dos inúmeros investigados presos que ele mandou soltar. Para um país que tem um Dias Toffoli como presidente do STF, considerando que ele chegou ao STF pela rota das catacumbas, já que foi reprovado duas vezes no concurso para a magistratura paulista e escapou do anonimato reservado aos carentes de brilho graças ao padrinho José Dirceu, condenado a mais de 30 anos de cadeia, mas que foi libertado recentemente por Toffoli, mesmo sem ter solicitado, ter um Sergio Moro como ministro da Justiça é uma grande honra e nos enche de esperança.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

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