Arno Kunzler

Reflexão necessária

Lamentavelmente a discussão sobre coronavírus está politizada no Brasil e em outros países também.

Isso não contribui em nada com as práticas que devemos discutir e adotar em nossas cidades.

Casa do Eletricista – NÃO PAGUE AR

Nosso presidente não está dando bons exemplos, a mídia idem e o cidadão fica aí, passando o tempo compartilhando vídeos e mensagens, às vezes sérias, às vezes mentirosas, às vezes raivosas, egoístas, odientas, mas na maioria das vezes brincadeiras.

Temos que trazer a discussão à luz da nossa realidade, apoiados na medicina e nas demandas urgentes da sociedade e não ao gosto dos políticos.

Vejo muitas pessoas defendendo a abertura do comércio com os cuidados que devem ser adotados e vejo pessoas radicalmente contra.

Nessa discussão ficamos divididos, ou por convicção ou por sentimento político.

Primeiro, é preciso saber se você está com o seu salário e emprego garantidos no final do mês, como servidores públicos, funcionários de grandes empresas com liquidez e pessoas sem necessidade de trabalhar.

Se você se enquadra nesse grupo, fica mais fácil pedir o fechamento das escolas e das empresas. Até porque o que eu o você precisamos está funcionando: mercados, farmácias, postos de combustíveis, panificadoras etc…

As indústrias também estão processando os alimentos e produtos que precisamos: carne, leite, queijo, papel higiênico, álcool etc…

Então, para esses está tudo certo, a proposta é fique em casa. Está correto.

Mas se você é pequeno empresário não capitalizado, como são a grande maioria das empresas do Brasil, geradores da maioria dos empregos, empregado que depende das vendas no final mês para ter salário, talvez você não esteja concordando com o grupo anterior.

Se você precisa alimentar sua família e no final do mês não tem salário, ou se tiver, é menos da metade do que costuma ganhar, talvez o teu mundo ideal não seja esse.

Se você é funcionário de uma indústria, de um supermercado ou de uma farmácia, você não teve o direito de ficar em casa; teve que pegar ônibus e trabalhar para que os produtos essenciais não faltassem aos demais.

E também não vi ninguém reclamando, pedindo para fechar mercados, farmácias, postos de combustíveis etc…

Será que nesse momento não nos falta sensatez?

Queremos os mercados abertos, mas defendemos o fechamento do comércio. Como assim? Que critério é esse?

Se para nós está bom assim, fechamos os olhos para os que precisam e querem trabalhar?

Serão esses que vão espalhar o vírus?

Por outro lado, é certo que vamos ter mortes, hospitais lotados e gente reclamando que não pode ser atendida.

Mas, pera aí. Isso nunca aconteceu antes? Nunca vimos gente morrendo nas macas em corredores de hospitais?

Se isso acontecer, estejamos certos, não é só por causa do coronavírus.

Isso também precisa ser revisto em nossas memórias.

Se morrer gente, e vai, não é por causa do comerciante que abriu as portas, nem do prefeito que autorizou.

Não é por causa do frigorífico ou do laticínio que funcionou para que não nos faltasse comida à mesa, nem do supermercado que vendeu e nem da farmácia que teve que ficar aberta para vender o medicamento que usamos, muito menos do posto de gasolina.

Então, defender a abertura ou o fechamento do comércio é fácil dependendo do lado que você se encontra.

Infelizmente estamos nessa guerra, muito mais por causa da insensatez política dos nossos líderes, começando pelo próprio presidente.

Se todos se cuidarem, começando pelas lideranças empresariais e políticas, se todos adotarem medidas preventivas adequadas, parece ficar mais fácil.

Agora, se negligenciarmos coletivamente, tudo fica mais difícil.

As famílias precisam ajudar a proteger seus idosos, todos acima de 60 anos e as pessoas doentes. Isolamento e cuidados todos os dias.

As empresas precisam cuidar dos seus funcionários e principalmente dos seus clientes.

Os governos precisam cuidar dos infectados, arrumando espaço para atendê-los, caso a doença se agrave.

Os hospitais e seus profissionais (médicos, enfermeiros e atendentes) têm a grande missão de salvar as vidas.

Vamos enfrentar esse desafio com paz no coração, fé em Deus e espírito de solidariedade.

Vamos deixar os sentimentos egoístas e oportunistas de lado para discutir e debater o que é melhor para a sociedade, não para mim, nem para o político deste ou daquele grupo.

 

Jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

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