Arno Kunzler

Reforma partidária

Como explicar a existência de um partido político que resolve não lançar candidatos a prefeito, governador ou presidente para apoiar outro?
Como explicar um partido político que não preenche suas vagas, sacrificando seus próprios interesses, para formar a chapa de candidatos a vereador e deputados, com candidatos de outros partidos?
As duas questões só podem ser explicadas de uma única forma:
Os partidos políticos viraram balcões de negócios, onde se vende tudo, menos ideal político e coerência partidária.
Se vende desde espaço para o horário gratuito em rádios e televisões, até a retirada ou a inclusão de candidatos que interessem a determinado grupo, unicamente para prejudicar um e ajudar outro.
Sacrificam-se inúmeras candidaturas pelos acordos produzidos nas cúpulas, que atendem a interesses maiores dos seus dirigentes, nunca explicados e nunca coerentes.
Sacrificam lideranças potenciais na base porque não se alinham aos interesses dos deputados que comandam os partidos na região.
Nesse “loteamento” partidário, cada deputado tem sua região e nada acontece ali que não seja do seu interesse, sob pena de intervenção pura e simples.
Queremos uma reforma política, mas os que criaram esse sistema, os beneficiários disso que temos aí, são os mesmos que agora precisam fazer a mudança…
Será que eles querem mudar isso?
Nesse Brasil de hoje, onde os mandatos dos parlamentares podem ser praticamente vitalícios (caso do Sarney), cada um vota e aprova o que é bom para sua próxima eleição.
Não há comprometimento com a coerência, com o ideal e nem com os governos que ajudam a eleger.
Também não há coerência naqueles que estão no papel de oposição. Isso é o mais grave e espantoso.
Pode uma democracia se consolidar sem oposição?
Hoje (23), políticos e empresários estarão em Terra Roxa para debater a reforma político-partidária.
Nesse encontro vai se falar muito sobre o fim das coligações, mas esse não é o grande problema político do país.
Por que não falar do fim das reeleições, isso sim é grave e seria importante acabar em todos os níveis.
O vício que se instalou nos órgãos públicos é fruto das reeleições.
Se não é possível trocar todos os vereadores e deputados de uma só vez, então, por que não criarmos um sistema de renovação parcial como é o Senado?
Bem que poderíamos ter eleições para vereador e deputado a cada dois anos, renovando sempre um terço das casas.
Quantas novas lideranças encontrariam espaço para disputar eleições, que hoje simplesmente estão sufocadas pelos atuais líderes?
Assim, os mandatos poderiam ser de seis anos, sem direito à reeleição e ninguém ficaria inibido a votar um projeto de interesse do país ou do seu município, apenas porque está vendo em jogo a sua reeleição.
As casas não sofreriam um impacto grande com a renovação total, mantendo sempre dois terços dos seus membros.
Como se vê, não é difícil encontrar alternativas, difícil é aprová-las.
Mas a quem interessa acabar com a reeleição, aos vereadores, deputados e senadores?
Que tal presidente, governador e prefeito terem um mesmo período de mandato de seis anos, sem reeleição?
Sendo que nesse período haveriam duas eleições proporcionais para renovar um terço do Legislativo?
Que tal pensarmos nisso?

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