Copagril
Elio Migliorança

REVELAÇÕES DAS GREVES

As recentes greves dos Correios e dos bancos trouxeram revelações importantes para o futuro, revelações estas que foram possíveis a quem soube ler nas entrelinhas as informações normalmente sonegadas do grande público. A greve dos bancários não me afetou em nada porque sou associado de uma cooperativa de crédito que faz tudo o que um banco faz com uma vantagem: o lucro é meu, enquanto que no banco ele é do banqueiro. Mas para aqueles que são clientes de banco, um transtorno gigantesco agravado pelo fato de que alguns tributos ou taxas são recolhimentos exclusivos de determinada rede bancária. Um erro, pois, como somos um país capitalista e de livre concorrência, não devia existir monopólio e o recolhimento devia ser de livre escolha do contribuinte. Nada contra o direito de greve dos bancários, garantia constitucional para todas as categorias. Já a greve dos Correios precisa ser analisada sob outro ângulo. É diferente do sistema bancário, porque os Correios possuem o monopólio na entrega de mercadorias e correspondências. Empresa pública já foi sinônimo de eficiência e serviu como modelo de gestão em outros tempos, mas, na medida em que foram nomeados para geri-la diretores de duvidosa capacidade gerencial, o que era modelo de gestão foi se transformando num antro de corrupção.

Mal administrada, esteve várias vezes no “olho do furacão” e hoje serve de modelo ao contrário, uma empresa que foi transformada negativamente. Há nos Correios algumas coisas incompreensíveis e para as quais até caberia um processo por propaganda enganosa. Por exemplo, o slogan: “Sedex, mandou chegou”. Sim, que vai chegar isso vai, mas a questão é: em quanto tempo?

Casa do Eletricista ESCAVAÇÕES

Posso esclarecer. Estava eu em Guarapuava (PR) e precisava de um documento que estava em Nova Santa Rosa (PR). Solicitei o envio via Correios por sedex 10. Aí descobri que sedex 10 só existe para cidades maiores. A propaganda não esclarece isso. Enfim, a saída foi o despacho via sedex comum. A distância entre as duas cidades é de 330 quilômetros. O despacho foi feito numa segunda-feira às 11h47. Naquele dia a encomenda chegou até Cascavel. De lá saiu no dia seguinte, terça-feira, e quando às 10h52 eu me encontrava no correio em Guarapuava, esperando a entrega, fui informado pelo funcionário que estava passando naquele momento um furgão dos Correios, procedente de Cascavel, e no estômago do caminhão ia minha encomenda. Mas o caminhão estava lacrado e só seria aberto em Curitiba, onde seria feita a seleção das mercadorias e só no dia seguinte chegaria ao seu destino final, no caso em minhas mãos. E foi o que aconteceu. Na quarta-feira, 11h40, finalmente recebi o documento, que, despachado a uma distância de 300 quilômetros, rodou mais de 900 quilômetros para ser finalmente entregue. Não questiono o direito de greve dos funcionários, mas aceitar que os governos promovam o sucateamento deste patrimônio nacional, que já foi símbolo de eficiência, com nomeações de diretores de capacidade e idoneidade duvidosas, é um absurdo e a denúncia é um dever de consciência de todos nós. Se olharmos a evolução da telefonia pós-privatização, devíamos gritar: privatização já.

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