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Pastor Mário Hort

Reverência na Igreja Ortodoxa de Moscou – 3ª parte

 

Confesso que jamais imaginei poder participar da celebração de uma missa em uma Igreja Ortodoxa russa.

Tomei um táxi para visitar a Catedral Luterana, porém o taxista me levou até um templo – e eu imaginava ser a Catedral luterana – que o governo de Moscou havia devolvido como propriedade.

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Entrei no santuário que estava em plena celebração, observei os ritos litúrgicos e considerei tudo muito estranho para quem conhece a liturgia luterana. Mas, me mantive sentado ao lado de uma enorme coluna do templo.

Sem saber que eu estava em uma Igreja Ortodoxa, observei a profunda devoção e o respeito dos fiéis em todos os momentos litúrgicos.

Observei homens de bem, pessoas idosas, crianças e freiras envoltas em panos pretos e só lhes faltava a burca, mas todos estavam em profunda contrição diante da solene celebração, que não foi um culto, mas uma missa da Igreja Ortodoxa russa.

Terminada a missa, procurei alguém que falasse inglês, quando me direcionaram a uma freira idosa. Eu lhe disse: “Vim do Brasil para escrever o tema ‘Existem cristãos convictos em Moscou?’”. E perguntei: “É esta a igreja que o governo devolveu a propriedade?”.

É difícil descrever a humilde resposta da freira Demitra, que disse: “Todas as 1.600 Igrejas Ortodoxas foram tomadas por Lenin, e agora o governo já nos auxiliou na construção, mas de apenas 500 santuários”. “Milhares de cristãos foram mártires no período comunista”, informou.

E disse mais: “Agora, ao edificar um templo, preparamos debaixo do altar mor do templo uma sepultura que simboliza a morte dos mártires durante os 74 anos do regime comunista”, concluiu em profundos lamentos.

Eu queria saber se existem cristãos convictos em Moscou e a freira demonstrou uma “convicção” que jamais eu esperava encontrar na Igreja Ortodoxa russa. Fui tratado com uma gentileza indescritível. Certamente isso representa infinitamente mais que experiências de pessoas individuais.

Ao despertar do sono, no dia após a visita à Igreja Ortodoxa, me senti envergonhado pelas muitas críticas que fazemos por discordar de rituais de outros cristãos, em diferentes missões do mundo de Deus.

Podemos, sim, discordar e ter outras liturgias, todavia, eu senti vergonha dos “fariseus” que se manifestam em nossas almas ao observar outras pessoas que buscam servir a Deus no modo que elas foram ensinadas.

O som alto em nossos cultos, com vizinhos atormentados pelos “louvores” do som pesado, prejudica as pessoas enfermas, idosos e crianças nos seus berços, e estamos perdendo a reverência nos cultos.

Aprendi uma lição de humildade sentado em pleno silêncio ao lado daquela coluna na Igreja Ortodoxa em Moscou, e entendi que “devemos conhecer a alma das pessoas devotas, e só então, se necessário for, sugerir uma outra forma de adoração a Deus”.

 

Mário Hort, o autor é pastor da Igreja de Deus no Brasil em Marechal Cândido Rondon

ecosdaliberdade@yahoo.com.br

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