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Elio Migliorança

REVERTER O PROBLEMA A NOSSO FAVOR

Estamos gastando um tempo precioso para reclamar da espionagem americana, como se isso fosse novidade. Todos os brasileiros acima de 40 anos sabem que, a partir do lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial da terra, lançado pela União Soviética em 04 de outubro de 1957, o mundo nunca mais foi o mesmo. Começou a corrida pela conquista espacial, e os americanos levaram a melhor. Modernos satélites de comunicações permitem imagens do mundo em tempo real, comunicação instantânea via internet, telefones celulares, previsões do tempo e até cirurgias realizadas a distância; toda esta parafernália tecnológica também permite espionagem e controle das comunicações. Se temos internet devemos isso aos americanos e à sua genialidade. A partir da denúncia de espionagem começou um esperneio governamental, com interesse político para chamar a atenção da mídia e desviar o foco de fatos muito mais sérios que estão ocorrendo no Brasil. Nossa posição inferior ficou bem clara quando o ministro das Relações Exteriores foi enviado aos Estados Unidos no dia 09 de setembro para ouvir explicações sobre o fato. Ora, ao invés de convocarmos o embaixador americano, afinal eles cometeram a infração, somos nós que vamos lá ouvir de um assessor uma explicação que não vai esclarecer nada. Foi aí que surgiu a ideia luminosa: que tal converter o problema, a espionagem, em vantagem a nosso favor, e ao invés de ficar amaldiçoando os americanos, por que não contratamos o serviço deles para fiscalizar o governo e os políticos por aqui?
Saberíamos quem desviou e para onde foram os bilhões das obras públicas mal administradas no Brasil. Os recentes escândalos no Ministério do Trabalho, o superfaturamento nas obras para a Copa do Mundo, o esquema de desvio de mais de R$ 300 milhões envolvendo a construtora Delta e órgãos do governo, desvios milionários em verbas da saúde, fraudes nas compras para merenda escolar, os empréstimos generosos ao falido Eike Batista, feitos com dinheiro público, tudo isso poderia ser esclarecido pelos espiões do “Tio Sam”. Estaríamos recuperando milhões e outros tantos deixariam de ser desviados se todos soubessem que estão sendo monitorados. Com tal contrato, podíamos descobrir onde anda o Lulinha, quantas fazendas já comprou e qual o número de cabeças de gado que possui, algo que a Receita Federal ainda não conseguiu fazer, caso contrário, já teria tomado providências, afinal de onde veio o dinheiro para tal? Como pode um desempregado tornar-se em dez anos um dos homens mais ricos do Brasil só porque o pai foi presidente?
Lamentável o prejuízo que o país terá com o cancelamento da viagem presidencial aos Estados Unidos, algo que o povo não vai ficar sabendo, apenas pagará a conta. Nossa infraestrutura é precária, altíssima carga tributária, vivemos uma insegurança jurídica sem precedentes, e a única coisa que nos falta ainda é o Supremo Tribunal Federal legalizar a corrupção no Brasil, absolvendo os mentores do mensalão. Aí teremos uma hecatombe moral sem precedentes. O que agora poucos sabem, fará muitos chorarem daqui alguns anos.

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