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Editorial

Revolta e tristeza

O caso da menina de dez anos que engravidou depois de ser estuprada supostamente pelo tio, no Espírito Santo, veio à tona dias atrás para deixar muito claro que o Brasil e as famílias ainda não sabem cuidar de suas crianças. Na segunda-feira (17), a menina passou por um procedimento para interromper a gravidez e, na medida do possível, ter um pouco de paz no resto de sua vida. No entanto, o ato asqueroso, criminoso, covarde e repugnante do suposto autor do crime ganhou menos destaque do que o aborto.

Não dá para acreditar, se não tivesse acontecido seria difícil de entender, mas a menina passou a ser alvo de muitas pessoas. Teve seu nome revelado, o que piorou ainda mais a situação, expondo-a e expondo sua família a um constrangimento inigualável.

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Pessoas começaram a condená-la, assim como sua avó, pedindo para que ela seguisse com a gravidez. Seguir com a gravidez de um estupro, aos dez anos de idade? Trazer um filho ao mundo fruto de anos de agressões, medo e terror psicológico?

O médico que fez o procedimento, que diz receber casos semelhantes quase toda semana, também foi alvo de protestantes, que o xingavam de assassino. O hospital onde a vítima estava foi alvo de protestos, contra, mas também a favor da interrupção da gravidez. Uma completa inversão de valores.

Para ficar mais claro o quão essa situação é horrível, observe a sua filha de dez anos, a filha da sua vizinha de rua ou uma criança qualquer nessa idade. Ou melhor, sabe aquela criança de seis anos que você conhece? Foi com essa idade que a pobre vítima começou a ser estuprada. Imagine o que você faria se fosse na sua família ou na família de alguém que você conhece, estima. Melhor não pensar muito para não entrar em uma erupção de revolta e tristeza.

Do suposto estuprador, que está foragido, pouco se fala. Sua imagem precisa ser resguardada para que não seja alvo da justiça das ruas. Um “homem” como este certamente reúne hoje dezenas de milhões de inimigos, mas ainda há quem não o culpe “tanto assim”, já que, tecnicamente, há pessoas que desejariam que ele fosse pai. O conservadorismo religioso já não é mais consenso dentro das igrejas, mas ainda tem seguidores fanáticos entre seus fiéis.

O estupro de crianças e adolescentes é uma realidade em todo o mundo, que ganha requintes de crueldade a cada nova notícia que deixa a população de bem chocada. A gravidez dessa criança, de apenas dez anos, que teve que aprender o quão a vida é dura em situações de violação do seu próprio corpo, por quem deveria protegê-la, é uma dor que boa parte da sociedade brasileira está vivendo.

O Brasil precisa reagir a esses crimes horrendos com mais políticas de proteção e, especialmente, mais rigor na punição dos criminosos. Por outro lado, as famílias precisam estar atentas a suas crianças, conversar abertamente com elas e saber identificar quando algo está errado.

Faltam políticas públicas, falta rigor da lei, falta estrutura familiar; tudo isso dói. E falta, para muita gente, aprender a discernir entre o certo e o errado, entre a vítima e o algoz.

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