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Editorial

Revolta generalizada

Indignação, revolta, raiva e ódio são sentimentos ruins, que devem ser minimizados, mas que por vezes insistem em perturbar os seres humanos, especialmente em casos de comoção social. Sentimentos que, quando descontrolados,provocam reações inimagináveis. Sentimentos que com certeza estão aflorados na população da vizinha cidade de Umuarama, no Noroeste do Estado.

O assassinato cruel e covarde da menina Tabata e a descoberta de seu algoz transformaram a cidade paranaense num verdadeiro caos. Revoltada, a população depredou toda a delegacia, incendiou vários carros e promoveu um grandessíssimo e irresponsável quebra-quebra generalizado. O que os carros tinham a ver com o assassino-confesso? O que o patrimônio público tinha a ver com o assassino? Nada! Aliás, foi o agente público que fez a prisão.

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Nesse caso, cabe, sim, uma enorme revolta contra a Justiça brasileira. Ela sim tem tudo a ver com o assassinato da criança. Pois foi a Justiça que colocou em liberdade o assassino confesso, que já havia sido preso, julgado e condenado pela morte de uma menina de 15 anos, em 2010, na também paranaense cidade de Chopinzinho. Algumas perguntas ficam: como alguém condenado pela morte de uma pessoa, ocorrida há sete anos, pode estar solto pelas ruas? Que juiz é esse? Se a menina de 15 anos fosse filha desse juiz, ele o soltaria? Quanto tempo é preciso ficar preso para pagar a conta de uma vida?

Nesse caso, como em tantos outros, a Justiça tardou e falhou, ou vice-versa. Falhou ao dar liberdade a um condenado por homicídio, tardou porque a Tabata foi uma nova vítima. Vítima de um psicopata, nas palavras dos policiais que investigam o caso.

Não é de hoje que as manchetes indicam: “o suspeito tinha 15 passagens pela polícia”, “ele tinha passagens por roubo, furto e tentativa de homicídio”, “ele tinha sido preso por latrocínio, mas fugiu após receber indulto de Natal”. Tem mais: “ele é um velho conhecido da polícia”, “tem uma larga ficha criminal”.

Quantas vezes a polícia tem que prender para a Justiça manter essas pessoas presas? Que tipo de argumento – não legal, mas humano – um juiz usa para soltar em tão pouco tempo alguém que matou outra pessoa?

As falhas leis brasileiras e suas brandas punições, mesmo para crimes gravíssimos, contra a vida e premeditados, deixam bandidos à vontade. Eles pintam e bordam sobre a sociedade brasileira, não só amedrontando as pessoas de bem, mas matando as pessoas de bem. Patético, trágico!

Os graves protestos protagonizados por parte da sociedade de Umuarama não se justificam, mas são o reflexo de uma sociedade que não aguenta mais ver a injustiça prevalecer, que não aguenta mais ver certas atuações do Poder Judiciário. Se a Justiça não faz justiça, a mão da sociedade a faz. Os meios foram errados, mas mostram explicitamente que a sociedade não confia e não mais em quem deveria a proteger. Pior que isso, está agindo por ela não agir.

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