Copagril – Sou agro com orgulho
Arno Kunzler

Risco de desabastecimento

É fácil olhar para trás e dizer o que deu errado.

Difícil é olhar para frente e antever o que dará certo ou errado.

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Mas, poucas vezes um quadro estava tão claro e tão fácil de antever como esse que estamos vivendo hoje.

A queda dos juros além do razoável, provocada pela política do governo, fez o dinheiro parado perder valor.

Quem tinha dinheiro, aplicado ou não, foi obrigado a gastar em alguma coisa.

Significa dizer que o dinheiro disponível tinha que ser gasto, seja com máquinas, com veículos, com a compra de terrenos, construção de casas ou apartamentos ou, em últimos casos, com futilidades.

Assim, o dinheiro procurou outras formas de rentabilidade, ou simplesmente fugiu da desvalorização.

Uma grande parte apostou no dólar, que já estava em fuga do Brasil.

Quem não arriscou na moeda americana teve que procurar alguma coisa para gastar o dinheiro; bens duráveis ou de consumo.

Além do dinheiro barato, sem remuneração, o governo ainda injetou recursos através do programa emergencial, esse sim um programa de distribuição de renda, mas que acabou desencadeando aumento de consumo e de preços, especialmente no setor alimentício.

Vimos o governo assistir a tudo isso apostando que o “mercado” iria se autorregulamentar, conforme sempre sinalizava o ministro da Economia, Paulo Guedes.

A política do governo federal, durante esse tempo todo, era estimular o consumo para fazer a roda da economia girar.

Acontece que os preços começaram a subir, gerando especulação e falta de produtos, já em maio de 2020, e isso era facilmente perceptível.

O governo continuou apostando na política de mercado e manteve os juros abaixo da inflação real dos preços.

Não era difícil para qualquer leigo perceber que a elevação dos preços, de forma continuada e generalizada, estava trazendo de volta a indesejada inflação e com ela todas as consequências imagináveis, como a perda da capacidade de compra dos assalariados.

Já não há mais tempo para evitar a inflação. Ela existe de fato e nem o aumento necessário de juros que está acontecendo vai contê-la, mas ainda dá para evitar a hiperinflação.

Não é provável que esse governo esteja interessado em tomar medidas para estancar a bolha inflacionária, até porque, para isso, terá que reduzir o ritmo do consumo de forma mais radical.

Se nada for feito além do que já está aí, teremos inflação, sim, e pior, risco de desabastecimento.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

 

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