Copagril
Editorial

Rolou um clima

Os bons ventos sopram no Oeste do Paraná, a chuva veio na hora certa, ao menos até agora, e trouxe consigo a esperança de uma safra recorde para os agricultores da região. À medida em que a soja implantada no solo argiloso cresce vigorosamente, aumenta também a expectativa de o produtor rural se capitalizar, já que muita gente da região, no ano passado, ao contrário de praticamente todas as zonas produtoras do Brasil, sofreu com a estiagem, com a chuva que não veio no período de plantio e queimou a safra na largada.

Ao contrário, neste ano as expectativas não poderiam ser melhores. O clima levemente influenciado pelo El Niño promete chuvas um pouco acima da média – melhor do que abaixo. No restante do país, assim também entre os maiores produtores mundiais da oleaginosa, como Estados Unidos e Argentina, as produtividades são excelentes.

Casa do Eletricista folha LORENZETTI

Bom para o produtor, para as cooperativas e para a indústria de proteína animal, que espera ver seus custos com ração diminuírem para desafogar a tênue margem de lucro a que hoje são submetidos. Soja e milho são os principais ingredientes da dieta dos animais, respondendo, por exemplo, no caso dos suínos e aves, por aproximadamente 70% dos custos de produção. Com um estoque mais elevado de grãos, a tendência é de preços mais baixos e, por consequência, margens mais atrativas.

Como tudo tem relação com o agronegócio, a tendência é que os preços do leite, carnes e ovos possam diminuir para o consumidor final, na gôndola dos supermercados. Ainda, produtores capitalizados gastam o dinheiro no comércio, que contrata mais funcionários, investe em novos projetos, que criam novos empregos, e assim sucessivamente em um grande círculo virtuoso de ganha-ganha.

O agronegócio vem sustentando a balança comercial brasileira há vários anos. Entre os setores da economia é talvez o principal com faturamentos faraônicos, oferta de alimentos às famílias e gera empregos na cidade e no campo, empregando cada vez mais tecnologia para alcançar os maiores índices de produtividade do mundo. Sem contar o equilíbrio que evita o êxodo rural e o inchaço e o acúmulo de mão de obra nas cidades. Tamanha importância de tal cadeia ganha sustentação com um clima favorável, que deve prevalecer até a colheita, entre janeiro e fevereiro nesta região.

Mas não é só com a ajuda de São Pedro que o produtor precisa contar. Nesse momento de retomada da economia brasileira, os novos governos eleitos, do presidente Jair Bolsonaro e do governador Ratinho Junior, devem olhar com muita atenção e cautela às demandas desse setor. O agronegócio, ao reiterar que move o país, precisa de atenção às suas necessidades. Muito da falta de competitividade e de resultados mais expressivos do setor são resultado da falta de investimentos de apoio ao meio rural, à agroindústria, como a logística, à alta carga tributária, à falta de acordos comerciais robustos e sólidos. O olho que está no céu observa um bom cenário para o agronegócio; espera-se que o olho que mira os governos encontre a mesma conjuntura.

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