Brincando na Praça 2019
Elio Migliorança

Rompantes absurdos

É visível que estamos vivendo uma das mais graves crises dos últimos anos. Parece que deu a louca no mundo. Temos uma crise econômica sem precedentes e vivemos ainda uma crise institucional ao ponto de acharmos que tudo está de cabeça para baixo. Cidadãos comuns como eu estão tendo dificuldades para compreender certas decisões à luz da razão e da lógica racional das coisas. E a preocupação sobe mais alguns degraus quando olhamos o estado catastrófico em que se transformou a vizinha Venezuela, já que a bagunça por lá começou timidamente, foi criando corpo, se agravando e está desmanchando o país.

Algumas decisões por aqui me pareceram tão insanas que as classifiquei como rompantes absurdos de seus autores. Na esfera política, três partidos, o PT, PCdoB e PDT, na quarta-feira, 19 de julho, manifestaram durante o 23º Encontro do Foro de São Paulo que se realiza em Manágua, Capital da Nicarágua, apoio à ditadura de Nicolás Maduro, e o PT e PCdoB assinaram um manifesto exaltando o triunfo das forças revolucionárias na Venezuela dizendo que a revolução bolivariana é alvo de ataque do imperialismo e de seus lacaios.

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No Brasil o Supremo Tribunal Federal decidiu, em maio último, pela soltura de José Dirceu. Achei que isso era um pesadelo e que logo acordaria. Para tristeza de milhões de brasileiros, era verdade e logo adiante decidiu também pela soltura de Rodrigo Rocha Loures e pela recondução de Aécio Neves ao Senado, e, para completar, pela soltura de Geddel Vieira Lima.

No Legislativo federal a Comissão de Constituição e Justiça parecia aquela bagunça da hora de recreio de uma escola durante um jogo de pingue-pongue. Era um troca-troca patético para garantir os votos necessários que livrassem a cara e o mandato do enrolado presidente Michel Temer. Uma humilhação para os deputados substituídos que viram a Câmara transformada num maior balcão de negócios, onde o apoio foi vendido na maior cara de pau.

Já o presidente Michel Temer, ao invés de administrar o país, está usando o dinheiro público para salvar a própria pele e o mandato. E como o governo não produz nada, só gasta o que é dos outros, resolveu assaltar o bolso do contribuinte, e no maior rompante dos absurdos decretou o aumento em 100% do PIS e Cofins sobre os combustíveis, o que deve gerar um efeito cascata, elevando o custo de tudo o que depende de transporte rodoviário, ou seja, tudo o que os brasileiros comem.

Em caso de crise os bons administradores reduzem custos, mas os incompetentes aumentam impostos para arrecadar mais. Se as gravações reveladas na delação premiada de Joesley Batista não constituem crime suficiente para a cassação do mandato presidencial, os deputados comprados através de emendas parlamentares são matéria grave o suficiente para justificar a cassação. O que ninguém sabe é que para ir ao exterior e voltar rapidinho antes da cassação o senhor Michel Temer esqueceu que a dívida pública hoje é de R$ 3,3 trilhões e resolveu aposentar o famoso avião presidencial apelidado de Aerolula e alugou um avião maior, pagando por isso a bagatela de R$ 71 milhões por três anos de aluguel. É necessário um grande reservatório de boa vontade para conseguir suportar tudo isso, já que o bom humor dos brasileiros dá sinais de esgotamento.

 

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