Editorial

S de socorro!

 

O governo federal pretende cortar de 30% a 50% os recursos que são destinados ao Sistema S, um importante conglomerado do saber e da aprendizagem profissional que tem contribuído decisivamente para o sucesso econômico de empresas e para a colocação de profissionais qualificados no mercado de trabalho. Fazem parte desse sistema Sesc, Senac, Sesi, Senai, Sebrae, Senar, Sest, Senat e Sescoop. Mais um S entra nessa lista: o S de socorro.

Sem essas verbas, o sistema criado nos anos de 1940 pode reduzir o número de funcionários, diminuir cursos e capacitações, acabar com programas de aperfeiçoamento e, em casos derradeiros, pode até fechar as portas de algumas unidades espalhadas pelo país. Em Marechal Cândido Rondon, o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) podem ter algumas atividades inviabilizadas, de acordo com lideranças do comércio local.

O Sistema S tem como objetivos principais capacitar e melhorar a qualidade da mão de obra do comércio, da indústria e das atividades rurais, mas também produz atividades importantes na comunidade, em áreas como educação, saúde, cultura, lazer e esportes. Sem os recursos, que são originários das empresas e depois repassados ao Sistema, uma entidade às vésperas de completar 80 anos de existência pode entrar em colapso. Um risco gigantesco, com proporções incalculáveis, para os setores econômicos no Brasil.

Quem é empresário sabe da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada no Brasil, seja na área que for. Na indústria a coisa ainda é pior. Por isso, a rotatividade de funcionários é bastante alta em muitas organizações empresariais. Falta gente capacitada, mesmo com a atuação constante do Sistema S para reverter esse quadro.

A quarta revolução industrial que está em curso vai exigir ainda e cada vez mais competência profissional para quem quer se manter no mercado de trabalho. As rápidas mudanças exigem aperfeiçoamento constante por meio de instrumentos que estão além de seu tempo, ou ao menos buscam estar, como é o próprio Sistema em questão. O Sistema S é protagonista nesse novo mundo, buscando, produzindo e oferecendo alternativas para que as pessoas possam aprender e se desenvolver profissional e socialmente.

O Brasil precisa voltar a crescer, para isso precisa de pessoas competentes, que possam produzir com qualidade e abundância, dando resultados econômicos para as empresas, para os cofres públicos, para as famílias. Mais do que nunca, precisa de instituições sólidas e comprometidas com o desenvolvimento humano, que possam dar alternativas a desempregados e novas oportunidades para quem já postula no defasado mercado de trabalho.

São mais de 12 milhões de pessoas que hoje estão na fila do desemprego. Retirar dinheiro de instituições que tanto fazem por essas pessoas é andar na contramão. O governo federal tem toda a razão em cortar despesas, o Brasil precisa de equilíbrio, mas é preciso saber onde enfiar a faca. Nesse caso, parece um grande equívoco.

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