Silvana Nardello Nasihgil

Saúde mental: um dos maiores bens que podemos possuir

 

Como humanos que somos, chega um dia para todos nós em que a vida parece estacionar, muitas coisas deixam de fazer sentido e só o que sentimos é um abandono emocional sem precedentes. Instala-se um sofrimento tão grande que a gente não sabe mais a quem recorrer. É comum perder a fome, o sono e o rumo, e vamos seguindo num automático sem qualquer direção.

As causas não precisam ser particularmente grandes, grandes que eu digo no juízo de valores de quem observa, mas serão as maiores para quem vivencia. Nessas situações o olhar de quem está de fora pode ser o de dar pouca importância; julgando-se por si, não acredita que alguém possa ter um sofrimento imensurável por razões que a seu ver possam ser desconsideradas.

Cada ser humano sente do seu jeito. A mesma causa tem efeitos muito diferentes para cada um. Aprender a respeitar isso nos fará seres sensíveis e corretos com o sofrimento alheio.

Não existe mensurar o outro pelo nosso jeito de ver e sentir a vida. Se o outro sofre, precisamos ter profundo respeito por isso.

Nesse sofrer e permitir-se sofrer existe uma saída que muitos desconsideram. Talvez por medos ou preconceitos, poucos buscam ajuda profissional. Poucos sabem que a saúde mental é um dos maiores bens que podemos possuir. De nada adianta ter fortuna, ser lindo(a), inteligente… se a família está capenga e se a vida paralisa não permitindo aproveitar as benesses.

Há de se convir, familiares e amigos não são as pessoas em quem podemos derramar nossas angústias desmedidamente. Familiares e amigos também têm problemas que, muitas vezes, não sabem e não conseguem resolver. Familiares e amigos podem ser o melhor colo, a maior fonte de amor, mas não serão aqueles que possuam a imparcialidade e as ferramentas para nos ajudar nas demandas internas, pois elas requerem muito além disso.

É preciso que se repense sobre o que estamos nos permitindo viver, em como estamos conduzindo a nossa vida e quantos respingos negativos permitimos que alcancem a nossa família, trabalho e amigos.

A vitimização nunca levará ninguém a um lugar seguro, jamais trará equilíbrio e de modo algum criará comportamentos positivos. A vitimização pode funcionar por pouco tempo, até que cansa. Ninguém tem prazer em dividir a vida com alguém que choraminga e se coloca como inferior, incapaz e sofredor.

É preciso quebrar os paradigmas e passar a olhar a vida como algo precioso, que precisa ser cuidado com zelo. É preciso reagir para mudar tudo o que pode ser mudado, é preciso um projeto de vida em que esteja incluso em primeiro plano o agir em favor de si.

O maior investimento que um ser humano pode fazer é em saúde mental. É a partir dela que organizamos a nossa vida para encontrar o equilíbrio que nos permitirá realizar nossos sonhos, conviver saudavelmente com os outros e agir conscientemente fazendo escolhas positivas.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica (CRP – 08/21393)

TOPO