Copagril
Dom João Carlos Seneme

Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens

Estamos no 3º Domingo do Tempo Comum e acompanhamos os passos de Jesus na realização de sua missão. Vimos no domingo passado o chamado de dois discípulos, narrado pelo evangelista João. Hoje, Jesus apresenta o coração de sua mensagem e a razão de sua existência e missão: o Reino de Deus. Para tanto, Ele quer contar com a participação dos homens para a construção deste Reino. Por isso, continua reunindo e chamando mais discípulos. Desta vez quem nos guia é o evangelista Marcos. O ambiente é o mar da Galileia, os personagens são pescadores na sua lida e o protagonista é Jesus que passa, chama e eles, “imediatamente, deixaram as redes e o seguiram”.

Jesus começa, precisamente, a construção do Reino de Deus pedindo aos seus conterrâneos a conversão e o acolhimento da Boa Nova (“Evangelho”). É a proposta de uma vida nova que implica em redimensionar a própria vida, transformando mentalidade e comportamentos. É colocar Deus nos centro de nossas vidas e, a partir d’Ele, tentar viver um mundo novo de amor, paz e partilha, renunciando ao egoísmo, ao orgulho, à autossuficiência.

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Depois de dizer qual a proposta inicial de Jesus, Marcos apresenta-nos os primeiros discípulos. Pedro e André, Tiago e João são os primeiros a responder positivamente ao desafio do Reino, apresentado por Jesus. Isso significa que eles estão dispostos a “converter-se” (isto é, a mudar os seus esquemas de vida, colocando Deus em primeiro lugar) e a “acreditar na Boa Nova” (isto é, a aderir a Jesus, a escutar a sua proposta de libertação, a acolhê-la no coração e a transformá-la em vida).

Marcos nos apresenta uma catequese vocacional que segue alguns passos importantes: O convite a entrar na comunidade do Reino é sempre uma iniciativa de Jesus dirigida a homens concretos, “normais” (com um nome, com uma história de vida, com uma profissão, possivelmente com uma família). É sempre categórico, exigente e radical (Jesus não “prepara” previamente esse chamado, não explica nada, não dá garantias nenhumas e nem sequer se volta para ver se os chamados responderam ou não ao seu desafio). Esse chamado não é para frequentar as aulas de um mestre qualquer, a fim de aprender e depois repetir uma doutrina qualquer; mas é um chamado para aderir à pessoa de Jesus, para fazer com Ele uma experiência de vida, para aprender com Ele a ser uma pessoa nova que vive no amor a Deus e aos irmãos.Esse convite exige uma resposta imediata, total e incondicional, que deve levar a colocar tudo o resto em segundo plano para seguir Jesus e para integrar a comunidade do Reino (Pedro, André, Tiago e João não exigem garantias, não pedem tempo para pensar, para medir os prós e os contras, para colocar em ordem os negócios, para se despedir do pai ou dos amigos, mas limitam-se a “deixar tudo” e a seguir Jesus).

Este chamado é para todos que acreditam em Jesus é são atraídos pelo seu modo de ser e de viver e querem formar uma comunidade. O seguimento de Jesus não é uma conquista: é ser “conquistado”: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens. Deixando o pai no barco, puseram-se a seguir Jesus”.

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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