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Elio Migliorança

SEMELHANÇA PERIGOSA

Corria o ano de 1984. Caminhávamos pela avenida principal da cidade de Zalaapáti, região central da Hungria. O país vivia sob o cruel e fechado regime comunista soviético, implantado no país após a
2ª Guerra Mundial. Quem me relatava os fatos viveu aqueles tempos e aqueles acontecimentos na cidade. Muitos foram mortos ao tentar defender sua propriedade, patrimônio que pertencia à família por várias gerações. Ao passarmos diante de uma casa, o relator parou e apontando-a disse: aqui morava um homem que foi preso várias vezes por minha causa. Diante do meu espanto, esclareceu. Ele era o presidente da Câmara de Vereadores e eu era vereador. E como eu percebi onde os comunistas queriam chegar, implantar o comunismo e acabar com a propriedade particular, lutei contra e denunciava isso na Câmara de Vereadores. Então o presidente da Câmara recebeu ordem dos comunistas para que não me desse a palavra durante a sessão. Mas ele me permitia o uso da palavra e por isso acabava preso. E isso aconteceu muitas vezes. O relator dos fatos chamava-se Dom Jean Severino Kögl, padre húngaro, naturalizado brasileiro, filósofo e doutor em História pela Universidade Sorbonne de Paris/França, e que foi durante 15 anos pároco da Comunidade Católica e professor nos colégios de Nova Santa Rosa. Neste 1º de maio de 2013, todos aqueles fatos adormecidos nas gavetas da memória do passado, vieram à tona quando os meios de comunicação noticiaram o confisco dos microfones e o espancamento de que foram vítimas os deputados de oposição ao governo na Venezuela. A diferença entre aquele presidente da Câmara de Vereadores de Zalaapáti com o senhor Diosdado Cabello, presidente do Parlamento Venezuelano, é que este faz parte da tropa de choque do governo para implantar no país uma ditadura cruel e sanguinária, sem espaço para o debate e muito menos para “oposições”, e isso de um governo, fruto de uma eleição fraudada. A maior prova de que a eleição foi fraudada é a recusa ferrenha do presidente eleito à recontagem de votos. Se ele tem certeza da vitória, por que impedir a recontagem de votos? É uma pena que nosso governo tenha aceitado a visita de Nicolás Maduro, antes que sua eleição fosse validada pela recontagem dos votos. O governo está dando apoio a quem no seu país faz o mesmo que os governos militares quiseram fazer no Brasil: calar a oposição. Esta história nós conhecemos. Nossa presidente fez parte dos grupos que lutaram contra isso. Como explicam então este apoio a um governo autoritário, que manda calar e agredir os opositores, se aqui criaram a tal “comissão da verdade” para punir o abuso de poder?
E no último dia 24 de maio fomos novamente surpreendidos quando o governo venezuelano anunciou a criação de milícias operárias, formadas por até dois milhões de trabalhadores armados, que, segundo Maduro, vão defender o país e a chamada “revolução bolivariana”. Isso lembra a criação dos “camisas negras” por Mussolini, na Itália, grupos armados que atacavam sindicatos, jornais, espancavam opositores e qualquer grupo que se manifestasse contra o fascismo. O governo brasileiro faria um favor ao país e a todos nós se mantivesse distância prudente destes marginais.

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