Copagril
Dom João Carlos Seneme

Senhor, ensina-nos a rezar

Neste domingo, o Evangelho de São Lucas nos oferece uma das passagens mais belas e significativas da caminhada com Jesus que dá identidade ao discipulado missionário. A oração do Pai-Nosso é uma catequese sobre a oração. Os discípulos veem o modo de Jesus rezar e querem aprender também, por isso pedem ao Senhor: “Ensina-nos a orar”! Jesus lhes ensina o Pai-Nosso que se torna a oração dos discípulos e discípulas de Jesus. Da mesma maneira como Jesus encontrou forças para vencer as tentações na oração, os discípulos devem buscar, através da oração do Pai-Nosso, a força necessária para permanecer firmes no projeto de Deus.

O texto apresenta ainda a parábola do amigo que pede ajuda que exorta a constância na oração: “Pedi e vos darão, buscai e encontrareis, batei vos abrirão”. Há também a imagem do pai generoso que é um convite a confiar sempre porque seremos, com certeza, ouvidos. Jesus apresenta esta grande novidade de chamar Deus de “papai querido”, rompendo a distância que a religião coloca entre os Deus e os fiéis e ensina que o Pai é amoroso, atento às necessidades de seus filhos e que podemos estar perto dele a qualquer momento. Para isso necessitamos de abrir espaço para Deus entrar em nossa vida.

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Os discípulos, quando veem Jesus rezando, percebem que Ele se transforma e se torna mais forte. A oração não é uma arma secreta de Jesus, mas uma necessidade que tem como homem de estar em contato com Deus como Pai. Esta unidade fortalece a ação de Jesus de seguir sua missão até as últimas consequências, revelando que o que move sua vida é o amor ao Pai e aos irmãos e irmãs.

O Pai-Nosso é a oração específica do discípulo de Jesus. Os discípulos pedem a Jesus uma oração que lhes dê identidade diante dos diversos grupos religiosos da época. Por isso, a oração se torna um distintivo para aqueles que buscam o Reino de Deus e entregam a sua vida por ele. A vontade de Deus se torna o centro de suas vidas na mesma dimensão que afirma São Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gl 2,20). Atingir este grau de identidade e despojamento é uma graça que vem da prática constante da oração.

A oração dá equilíbrio e firmeza, proporciona força que liberta das frustrações do dia a dia (nos momentos difíceis da vida, a fé, sustentada pela oração, pela Palavra e pela Eucaristia, nos mantêm firmes). A oração liberta de todas as angústias, as prepotências e as explorações. (cf. Sl 137). Ela nos coloca em sintonia com os sofrimentos dos nossos semelhantes e nos incita a agir. Abraão pede pelos habitantes de Sodoma e Gomorra. Enfim, rezar é saber dizer: “Pai”. Podemos crer que assim realizamos a oração mais perfeita e mais plena. Esta simples palavra tem o poder de escancarar as portas da felicidade e do amor infinito. Mas há uma condição: que ao aprendermos a dizer Pai (Abba), não deixemos de aprender também a dizer irmão-irmã.

A celebração eucarística é o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Ele habita em seu templo santo e nos reúne em sua casa para nos dar força e poder. “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco” (oração do dia).

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