Copagril
Editorial

Será que vale a pena?

 

Quem não falou, já ouviu ou vai ouvir nos próximos dias. “Meio ano se foi”. Pois é, nobres leitores, estamos às vésperas de entrar no segundo semestre, uma conveniente época para fazer uma reflexão sobre aquelas promessas ditas lá em 31 de dezembro. Não se trata de dinheiro no bolso ou saúde pra dar e vender, mas daqueles desejos mais generosos e sinceros que a cada novo ciclo apresentam-se às pessoas chancelados por uma carapuça de esperança em dias melhores.

Ter mais paciência com as pessoas e mais tolerância entre as diferenças, dar um tempo para si, fazer caridade, não julgar exclusivamente sob seu ponto de vista, ter bom humor, amar! Se você fez algo parecido com isso parabéns, você faz parte de uma minoria.

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Desde 2013, quando as primeiras manifestações populares da década ocorreram, na fase de “o gigante acordou”, a população brasileira vem passando por um processo de politização. Interesse e participação na política certamente igual nunca a população demonstrou. Mas, ao invés de uma união popular, o Brasil se rachou ao meio. Mais agudamente com as eleições do ano passado. Isso inflamou os ânimos de milhões de dedinhos, que passaram a guerrear notadamente pelas redes sociais. As fake news e os memes são um território sem lei e ordem para uma enxurrada de insultos, mentiras, exageros, julgamentos, rompimento de amizades, mau humor e tudo mais aquilo que todos estão acostumados.

E o pior, extrapolou o campo político. A intolerância está até em boas ações. Dias atrás um cabeleireiro salvou um cadeirante de um atropelamento ao evitar que o motorista progredisse em marcha à ré. Na matéria publicada em um portal nacional de notícias, os comentários eram: “cadeirante burro, não passou na faixa”, “eu aceleraria porque o cabeleireiro foi que nem um louco pra cima do motorista”, “motorista não sabe usar espelho”, “cadeirante suicida… kkkk”. Mas nenhum dos internautas (pessoas) demonstrou felicidade na tragédia evitada. Nem um!

Em veículos de comunicação regionais não é diferente. Para quem vive de comunicação e sabe o que é fazer jornalismo, é triste observar tantos julgamentos e raiva que alguns leitores carregam em seus comentários. Sobra pra todo mundo. São opiniões diferentes, e isso é de extrema importância, mas são, por vezes, opiniões rasas, impróprias, caluniosas ou simplesmente imprestáveis.

Enquanto isso, meu nobre amigo, a vida passa em sua frente. O amor que você tanto falou que ia dar nesse ano não sucumbiu, ele somente está atrás de uma grande rede de bobagens superficiais que nós mesmos criamos para ficarmos mais chatos e intolerantes.

Será que vale a pena defender Bolsonaro ou Lula? Será que não é tempo demais da vida discutindo tolices? Será que não é tempo demais com futilidades? Quando a sabedoria nos fizer perceber que tudo isso é uma grande bobagem, pode ser tarde demais. A vida passa. O tempo passa. Meio ano se foi. E o que você fez?

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