Brincando na Praça 2019
Elio Migliorança

Simples assim

Depois que os efeitos da Operação Carne Fraca, que foi tão forte ao ponto de deixar um gigante de joelhos, estão sendo contornados, é hora de voltarmos nossa atenção para o caldeirão que está cozinhando o próximo angu que será enfiado goela abaixo dos brasileiros, a costura pela abominável “lista fechada”. Lista fechada é o nome dado a um golpe dos partidos políticos que pretendem elaborar uma lista na qual o eleitor vota e estarão eleitos os primeiros da lista conforme os votos do partido. Uma recente declaração do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), espantou a todos ao declarar que “dificilmente um novo sistema terá tantos inconvenientes como o que nós estamos vivendo agora”.

Estranho que o ministro há tantos anos na mais alta Corte do país só agora acordou e esbraveja contra o sistema eleitoral. Citou como exemplo o voto em Tiririca, que elegeu Protógenes Queiroz. Mas é menos ruim eleger estes dois do que votar numa lista e eleger Renan Calheiros, Romero Jucá e Edison Lobão.

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O que a quadrilha denunciada pela Operação Lava Jato deseja a todo custo é aprovar o voto em lista para exercer o poder de uma ditadura partidária a partir da qual os caciques colocarão seus nomes em primeiro lugar e automaticamente estarão eleitos, garantindo o foro privilegiado que no Brasil é sinônimo de impunidade.

Sabendo que seus nomes estão mais sujos que pau de galinheiro perante o eleitorado e que dificilmente se reelegerão, praticar este estelionato eleitoral é o atalho para uma reeleição tranquila. E pela forma açodada com que políticos e o ministro propõem a reforma é para não dar muito tempo para pensar e evitar que descubram como tudo já estava combinado.

Quando o ministro Ricardo Lewandowski articulou lá no processo de cassação no Senado a manutenção dos direitos políticos de Dilma Rousseff foi o primeiro passo para o plano em andamento. Ao cassar a chapa Dilma/Temer no Tribunal Superior Eleitoral dar-se-á o mesmo benefício a Michel Temer, que, não perdendo os direitos políticos, pode em seguida ser eleito presidente pelo Congresso Nacional. Mas voltemos à questão da reforma política. É muito simples para solucionar esta questão de votar num e eleger outro. Basta proibir as coligações partidárias, obrigar os partidos a lançar candidatos para todos os cargos e estabelecer que serão eleitos os mais votados, acabando assim com o voto de legenda. E até permitir candidatos avulsos que registrem sua candidatura na Justiça Eleitoral. Simples assim.

No caso das Câmaras de Vereadores, se há nove vagas serão eleitos os nove mais votados do município e assim também nas Assembleias Legislativas e Congresso Nacional. Tão simples que os políticos não querem falar sobre isso, pois o golpe da lista fechada lhes garante a reeleição, principalmente aos caciques dos partidos.

Outra medida que alegraria os brasileiros que pagam pesados impostos seria reduzir em 50% o fundo partidário, hoje próximo de R$ 1 bilhão.

Como se vê, em todas estas articulações que cheiram mal, pois visam o interesse de quadrilheiros lutando pela impunidade, os corruptos seguem se reinventando e se nada fizermos o Brasil continuará andando para trás. Caso perdermos esta batalha, o próximo passo será não votar em partidos que adotem lista fechada de candidatos.

 

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