Editorial

Simplesmente um ser humano

 

Hoje (08) é lembrado em vários países ao redor do mundo o Dia Internacional da Mulher, criado a partir de movimentos do século XX que demandavam melhores condições de vida e de trabalho para elas. Mais de um século depois das primeiras reivindicações, muita coisa melhorou, mas ainda há muito obstáculo para ser vencido para que direitos e deveres sejam realmente compartilhados.

Mulheres ocupam hoje posições de liderança no mercado de trabalho, coisa quase impensável há 30 ou 40 anos atrás. No entanto, em muitos casos recebem salários inferiores aos dos homens, mesmo ocupando as mesmas funções e sendo até mais profissionais. Mulheres usam minissaia, coisa impensável até pouco tempo, mas ainda são motivo de assédios e estupros (in) justificados pela roupa que usavam. “Também… ela tava pedindo”.

Mulheres conquistaram o direito ao voto, mas, apesar de serem a maioria no Brasil, ainda ocupam pouquíssimos cargos nos governos municipais, estaduais e federal. Mulheres conquistaram o direito de ir e vir, mas sem esquecer que têm a casa, os filhos e o marido antes de dormir.

Parece exagero? Lembra da advogada de Guarapuava, que foi brutalmente espancada, estrangulada e jogada de um edifício… da empresária do Rio de Janeiro, que ficou irreconhecível depois de tanto apanhar… São muitas as vítimas que recentemente foram espancadas e deixadas para morrer. E a coisa só piora quando a mulher é pobre, negra, tem pouco estudo e é dependente financeiramente dos homens…

Mas não é só essa violência. Você provavelmente conhece alguma mulher que já foi discriminada por ser mulher. Aliás, não somente homens, mas muitas mulheres discriminam umas às outras. Dirige mal, é fofoqueira, tem que lavar roupa, é muito sensível, ganha o suficiente pelo que faz, é obrigação de mulher. É tanta ofensa disfarçada de piada de mau gosto…

Mas as coisas estão mudando. Mulheres são amadas, por homens, por mulheres, pela sociedade. Mulheres são valorizadas, mesmo que ainda haja terreno vasto para tal. Mulheres são reverenciadas, são mães provedoras de vida, são maravilhosas.

Nesse dia 08 de março, lembre-se que nas entranhas de uma mulher há sempre um ser humano. Este ser humano sente dor e felicidade, chora de emoção e de tristeza, comemora alegrias, mas também acumula fracassos, sorri ou demonstra força em momentos difíceis. Há atrás de cada mulher um ser humano que sente fome, que quer ficar na cama o dia todo, que precisa ser amado, que precisa de paz e um tempo para si.

Há no fundo da alma de cada mulher um ser humano sensato, equivocado, trabalhador, legal, bobo, simplesmente um ser humano, nada mais, nada menos. A receita parece bastante simples e de sucesso. É preciso nesse mundo lembrar as conquistas nas datas comemorativas, mas especialmente ter mais admiração e respeito uns pelos outros, sejam homens, sejam mulheres.

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