Arno Kunzler

Sinais de rebeldia

Os brasileiros, de modo geral, não confiam mais nestes políticos que ocupam os principais cargos no país. Isso é fato.

A pesquisa publicada ontem (05) indica que mais de 50% dos eleitores que votaram na presidenta Dilma, no segundo turno, hoje não repetiriam o voto.

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Não deve ser muito diferente com os governadores. Talvez nem com os deputados.

Mas então, o que esperam as pessoas que protestam? Medidas paliativas para resolver problemas localizados?

Talvez algumas categorias sim. Se analisarmos sob a ótica dos motoristas, baixar o preço do diesel pode motivar a volta à normalidade.

Para os professores, aceitar alguns itens da pauta de reivindicações pode levá-los de volta à sala de aula.

Mas o que esperam os empresários, agricultores, prestadores de serviço, médicos, dentistas, funcionários etc?

Para eles, não há algo específico que possa mudar a opinião, o seu descontentamento com o governo.

Mas protestar apenas contra a corrupção é algo abstrato, que não se pode ver, nem perceber.

Logo, para essa grande maioria dos brasileiros que não tem uma pauta específica para reivindicar, que sabe que medidas austeras precisam ser adotadas, seja quem for o governante, para esses parece que há somente uma forma de “aliviar” a panela de pressão.

A renúncia, afastamento ou a cassação de todos os envolvidos nos processos de corrupção ou os que assistiram tudo isso e se omitiram durante todos esses anos.

Enquanto esses governantes estiverem ocupando seus cargos e a população, a grande maioria pelo menos, acredita que eles são de fato corruptos ou pelo menos omissos, dificilmente encontraremos um clima de otimismo e comprometimento das pessoas com os governos instalados hoje no país.

As mentiras ditas e repetidas nos palanques eleitorais, contrastando com tudo que fizeram na prática depois da posse, revela um grau de insatisfação e distanciamento jamais percebido na recente história do país.

Não é apenas contra a presidenta Dilma, e nem só contra o governo da presidenta Dilma.

A revolta das pessoas é com essa “podridão” que a cada dia fica mais evidenciada, com tudo que passou a ser divulgado e tantas coisas que sabemos que ainda não foram divulgadas pela imprensa.

Não adianta demitir alguns ministros, trocar algumas peças e manter a roubalheira como está.

Está muito claro: saímos desta campanha eleitoral piores do que entramos, estraçalhados moralmente.

A democracia foi violentada pelas mentiras e por escolhas que não se repetiriam hoje.

Como na democracia, em tese não há arrependimento, exceto quando os políticos querem, provavelmente vamos conviver insatisfeitos pelo tempo que durar o mandato dos atuais governantes.

Menos mal que um dia teremos a chance de nos manifestar novamente nas urnas, quem sabe teremos mais sorte ou mais discernimento.

Isso se não formos ludibriados novamente por novas promessas e novas mentiras, que, repetidas inúmeras vezes, parecem verdades.

 

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