Copagril
Arno Kunzler

SOLUÇÃO IMPROVÁVEL, MAS…

Até que a sugestão do nosso ministro do Supremo, Gilmar Mendes, não é uma má ideia. Ele sugere que Dilma, Michel Temer e Eduardo Cunha renunciem, diante de tantas evidências de malversação do dinheiro público e da corrupção generalizada que foi instrumento para abastecer partidos e políticos aliados do governo durante a campanha de reeleição da presidenta.

É claro que isso não é provável, já que antes de todos caírem, é mais fácil todos ficarem.

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O pontapé inicial já foi dado. Lula, com sua percepção política, quando entrou nas negociações para evitar o impeachment de Dilma, logo direcionou sua batalha para recuperar o apoio do presidente da Câmara.

E parece que ele, Cunha, também percebeu que com tantos problemas para se defender na Justiça, não conseguiria se manter no poder, brigando com o governo e sendo a peça-chave para o impeachment.

Assim, a solução menos provável que teremos é a renúncia de ambos, ou dos três, ou quem sabe dos quatro incluindo Renan Calheiros.

Logo, a semente de um grande acordão para livrar todos está lançada, e em terreno fértil.

E para essa semente germinar, basta que o povo se cale, que os movimentos sociais recuem, que o Ministério Público e o Judiciário se deem por satisfeitos.

Estamos, portanto, diante de um dos piores escândalos políticos de um país democrático, certamente o maior, depois de termos tido o maior escândalo de corrupção vivenciado num regime democrático, chamado de petrolão.

No Brasil tudo é muito grande. Já éramos campeões, sustentando vários e importantes títulos.

O país com mais gente passando fome, o país com mais miseráveis, o país com maior burocracia, o maior índice de analfabetos e crianças e adolescentes fora da sala de aula, a pior saúde pública do continente e agora, pasmem, vamos erguer mais duas taças.

Seremos campões isolados em corrupção e em escândalos políticos. Claro, tudo isso porque também sustentamos, para desgraça nossa, o título máximo da impunidade.

Agora, cá pra nós, se Dilma Rousseff e Eduardo Cunha resolverem proclamar sua inocência, como vêm falando em alto e bom tom, contrariando todas as evidências e provas já colecionadas, fazendo um acordo de defesa mútua, o que vai acontecer no país?

Se Eduardo Cunha resolver engavetar todos os pedidos de impeachment, a presidenta vai estar livre das acusações que pesam contra ela?

E se o governo agir em favor de Cunha, como tudo indica, ele vai permanecer no cargo de presidente da Câmara e com o mandato de deputado federal?

Será que a Nação, entristecida com tanta sem-vergonhice patrocinada pelos nossos governantes e representantes indignos, está sujeita a ver a roubalheira triunfar, a ponto de corruptos acusados pelo próprio Ministério Público e prestes a ser condenados pelo Poder Judiciário com fartas provas, continuarão sendo nossos governantes?

Depois disso tudo, como sugeriu o Tribunal de Contas da União, em relação às empreiteiras envolvidas na Lava Jato, de anistia-las perante a Lei de Responsabilidade Fiscal para que as obras públicas não parassem… só falta alguém sugerir anistia para os corruptos para não parar o governo, o Congresso e outras instâncias da República…

Podem parar!!!

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

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