Copagril
Arno Kunzler

Tempo quente

Um ano em que o Brasil teve o impeachment da presidente, a prisão do presidente da Câmara dos Deputados e o afastamento do presidente do Senado (que se recusou a sair), não pode ser normal.

Estamos nos aproximando do fim de um dos anos mais traumáticos da política brasileira, em que quase tudo aconteceu, quase porque o presidente do Senado, Renan Calheiros, provou, na prática, que nem o Supremo Tribunal Federal (STF) tem poder para fazer cumprir suas próprias decisões.

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Ou seja, na hora que ia sobrar para todo mundo e a República iria ficar do avesso, melhor deixar assim…

Todos sabem como funciona o poder e como são negociadas as benesses do poder.

Um parlamentar se elege e já está fora da lei, precisa entrar no jogo para se manter como parlamentar.

Quando sobe de posto, ocupando um cargo de liderança, já está com a teia de interesses preenchidos.

E quando ascende a cargos como presidente da Câmara e do Senado, aí mostra que tem muito prestígio, prestígio esse articulado através de concessões de benefícios.

Em troca de manter um político com tantos problemas sempre há exigências e contra prestação de serviços.

Quem tem mandato indica cargos e que tem cargo nomeia, e quem é nomeado tem satisfação para dar.

Nesse turbilhão salvam-se poucos e esses poucos preferem se abster a enfrentar os lobos que articulam esses interesses.

E lá está Renan Calheiros, no topo da lista.

Impressionante como o PMDB abrigou tantos políticos desse naipe. Renan, Sarney, Jucá, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Geddel, Jader Barbalho… e tantos outros.

A corrupção tem um eixo central hoje, que é o PMDB. Os demais são adjacências, PT, PP e os de menor expressão.

Mas os corruptos não estão só nos partidos, estão nas empresas públicas e nas outras e muitas outras instituições.

Daí não ser surpresa para os brasileiros que nesse universo só acontece algo se não for pontual, localizado e periférico.

Caíram muitos, mas não se mexeu no eixo central. E agora ficou claro, que não vai ser mexido.

Chegou onde poderia chegar e daí não passa, porque os interesses corporativistas falam mais alto que o interesse republicano.

Nesta semana o STF tinha a oportunidade de dar um basta, mas preferiu dizer que é melhor manter o ruim do que acabar com as benesses com as quais todos se locupletam de uma forma ou de outra.

Uma demonstração clara que os interesses e os privilégios foram mantidos em todos os níveis.

Político pode ter 20 processos contra ele, e eles não andam se ameaçar os privilégios de alguém, senão fica esperando prescrever. Lastimável.

Para quebrar a regra, de vez em quando cai alguém, o próprio Renan quando ainda era fraquinho, o Severino Cavalcanti e o próprio Eduardo Cunha, que ficou claro, não era perigoso, senão não cairia.

A República precisa de uma chacoalhada mais forte. Cinco milhões nas ruas não foram uma ameaça.

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