Editorial

Tempos difíceis

A passeata realizada na tarde de ontem (06) por empresários em Marechal Cândido Rondon mostra o claro descontentamento da classe com as medidas de restrições que afetam a abertura dos comércios. E eles têm toda razão. Não faz sentido penalizar o setor que, com toda certeza, foi o que mais adotou medidas para barrar a disseminação da Covid-19.

Nos comércios rondonenses, o que se viu nos últimos tempos foi uma série de cuidados com a saúde e a higiene, como disponibilidade de álcool gel para os clientes e colaboradores, uso de máscaras entre todas as pessoas, distanciamento social, limite de pessoas por estabelecimento, tapetes de higienização e sanitização em boa parte deles e até aferição da temperatura de funcionários e clientes.

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Tudo o que as autoridades sanitárias pediram para fazer foi feito, todos os decretos foram cumpridos. No entanto, o avanço da doença e a preocupação com a falta de leitos de UTI na região Oeste do Paraná praticamente colocou em “lockdown parcial” todos os municípios, mesmo aqueles que estão com números controlados, como é o caso de Marechal Cândido Rondon. Olharam Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu com seus números expressivos e colocaram todos no mesmo balaio.

Não dá para cravar, não dá para ter certeza, mas o sentimento entre muitos é de que não é o comércio responsável pelas transmissões, mas sim o comportamento de muitas pessoas, principalmente depois do expediente de trabalho. As festinhas, jantinhas e confraternizações foram e são frequentes desde o início do isolamento.

Se nada acontecer, ou seja, o Estado flexibilizar as medidas, serão 14 dias de fechamento total de grande parte do comércio, com possibilidade de prorrogar por mais sete. Para as pequenas empresas, certamente vai ser ainda mais difícil. Muitas vão demitir, outras vão falir, outras vão acumular dificuldades diluídas paulatinamente nos próximos meses.

A dor e a indignação dos empresários de Marechal Cândido Rondon é compartilhada em várias outras cidades, que também registraram atos ontem em favor da reabertura do comércio. Resumidamente, clamam ao Governo do Estado para rever sua posição, para que possam voltar a trabalhar.

A economia dos municípios vai sofrer muito neste ano. Manter o comércio aberto em cidades como Marechal Rondon seria fundamental para reduzir o tamanho deste tombo. Garantir os empregos, a renda das famílias e a geração de impostos é fundamental para que uma pandemia econômica não afete essas pequenas cidades, com suas economias relativamente frágeis.

Pior é saber que o Estado não deve flexibilizar as regras. Aliás, já sinalizou que vai incluir mais cidades nessas medidas mais restritivas. Mesmo assim, empresários ainda têm um fio de esperança de que a posição possa ser revista pelo governador Ratinho Junior e pelo secretário de Saúde, Beto Preto.

Mandados de segurança devem surgir aos montes. Os prefeitos vão à Justiça para tentar reverter a situação, tentar reabrir as milhares de empresas que foram obrigadas a entrar na fila da incerteza.

Resta solidarizar-se com toda a classe empresarial e com seus trabalhadores e suplicar por uma revisão das regras impostas pelo Governo do Paraná, que certamente apontou o dedo para o lugar errado.

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