Pref. Pato Bragado Natal em Canto 2019
Silvana Nardello Nasihgil

Tempos em que se pensa pouco e se age muito

Vivemos em um tempo em que se pensa pouco e se age muito. Talvez a velocidade com que as coisas acontecem seja o fator determinante para essa aceleração mental, a partir da qual tudo passa a ser para ontem.

Envolvidos na correria, na maioria das vezes deixamos de observar o nosso entorno, esquecemos parceiros, família, amigos, colegas e por aí vai… O que faz sentido é cumprir metas. Como se fôssemos robôs, programamos os dias voltados para produzir, sem muitos critérios. Desconsideramos o sentir, e assim seguimos…

Casa do eletricista TRATAM. E ACESS.

É fácil percebermos como os limites estão estreitos. Alterar-se se tornou questão de uma palavra mal colocada ou até mesmo um simples olhar processado sem critérios. Pronto! Está feita a guerra!

Não importa mais se as pessoas são íntimas ou não, esse modo de despejar as inquietudes pessoais sobre os outros está saindo do controle.

A começar pelas famílias: muito mimimi, muitas exigências e pouca doação. Brigas intermináveis ao ponto da descompensação gerar doenças físicas e tornar impossível a convivência. Então é preciso voltar o olhar para aquilo que rodeia. Tudo muda o entendimento quando se começa a observar as próprias atitudes: como nos dirigimos ao outro, como respondemos, quanto estamos interessados em ter paz, quanto somos nós que contribuímos para mover negativamente e criar incêndio com qualquer fagulha, quanto tem de nós naquilo tudo que estamos detestando viver. Muito se fala do outro quando a relação está disfuncional, mas pouco se observa que numa parcela bem grande da relação, muitas vezes, se está apagando “fogo com gasolina”.

A falta de buscar compreender o outro dentro das suas limitações e o fato de sempre buscar a razão torna relações que poderiam ser saudáveis e grandiosas em relações tóxicas e sem futuro.

Não precisamos ter grandes conhecimentos para observarmos e compreendemos que muito da desfuncionalidade, quer pessoal, social ou familiar, está no desejo de estar sempre certos e donos da verdade. Precisamos entender as nossas diferenças: jovens pensam diferente de adultos, crianças têm necessidades que adultos não possuem, homens são diferentes das mulheres, cada pessoa tem uma história de vida que ajudou a formá-la e essas histórias podem ser muito negativas, e desconhecemos a grande maioria delas. Quando essas diferenças são levadas em consideração, respeitadas com seriedade, as relações tendem a se equilibrar, os ânimos serenam e a convivência passa a ser saudável.

Muitas vezes é preciso lembrar que como humanos temos a palavra e que ela pode mediar tudo, dissolver mal-entendidos e buscar soluções, porque para tudo existe um jeito. Faz-se necessário olhar para dentro de si e buscar mudanças, compreendendo a necessidade, a começar pelo básico: baixar o tom da voz, baixar as autodefesas, muitas vezes sem lógica, acomodar a ansiedade, parar de exigir tudo do seu jeito, olhar para o outro com amor, acolher as dificuldades e dores, auxiliá-lo nas suas demandas, ouvi-lo, estar presente, importar-se… Atitudes dessa natureza possuem um grande poder de acomodar angústias, transformar vidas e relações.

Para quem se dispõe a viver uma vida de paz e amadurecimento é preciso lembrar que crescer, às vezes, dói. Existirão dificuldades, pois requer renúncia, entrega, autoconhecimento, disposição de compreender e acolher o outro, compreensão das diferenças, desejo de construir ou reconstruir, disposição de amar e permitir-se ser amado(a). Porque quando buscamos o equilíbrio das relações, seja de que natureza for, é porque sabemos que vale a pena tentar, é lá que queremos estar, por sabermos que de algum modo existem elementos que acreditamos ser importantes.

Uma coisa é certa: quando o desejo de mudanças e a busca por uma vida equilibrada e mais feliz for em conjunto, toda a dor processada tem grandes possibilidades de potencializar o amor acrescentando equilíbrio nas relações. Então teremos encontrado um dos segredos do bem viver… é só continuar.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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