Editorial

Toda a vida importa

Toda a vida importa. Neste ano, a campanha Setembro Amarelo, que debate mundialmente a prevenção ao suicídio, tem ainda mais importância diante do contexto pandêmico da Covid-19.

Antes mesmo de iniciativas de orientação e informação alusivas ao tema, não se pode esquecer de criar esperança através de ações. Sim, porque toda ajuda é bem-vinda, mas ações efetivas na prevenção são fundamentais.

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É setembro. É preciso seguir quebrando tabus, barreiras. É preciso falar, sim, sobre o suicídio. É preciso alertar para importância da ação de amigos e familiares.

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Qualquer um pode contribuir, acolher quem está precisando.

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Precisamos dedicar atenção à valorização da vida. Precisamos saber como agir de maneira correta nas situações em que pessoas demonstram interesse em não mais viver.

É necessário entender que o que a pessoa está querendo matar é a dor dela, que é insuportável.

E os números impactam.

Todos os anos são registrados cerca de 12 mil suicídios no Brasil e mais de um milhão ao redor do mundo, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

No Paraná, desde 2018 o número de suicídios registrados segue em patamar recorde. Apenas em 2020, último ano com dados disponíveis, um paranaense deu cabo à própria vida a cada dez horas, em média.

Dados do Ministério da Saúde, extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), revelam que desde 1979 (quando teve início a série histórica) até 2017 o Paraná jamais havia registrado, ao longo de um único ano, mais de 800 óbitos decorrentes de lesões autoprovocadas intencionalmente (termo utilizado para se referir ao suicídio pela na Classificação Internacional de Doenças – CID).

Em 2018, essa barreira foi rompida pela primeira vez. Naquele ano, 915 pessoas se suicidaram no Estado. No ano seguinte, o número subiu para 944 mortes. Já em 2020, os dados preliminares do SIM, divulgados recentemente, apontam para 900 suicídios no Paraná, o que dá a média de cinco suicídios a cada dois dias.

São dados alarmantes que nos dão a certeza de que a saúde mental deve ser colocada e mantida em pauta. E não só isso. Para ter resultado, precisa ter ressonância na sociedade.

Sempre houve pessoas vulneráveis, e sempre vai haver. Com a pandemia e suas consequências, há ainda mais vulnerabilidade.

São muitos os que perderam parentes e amigos. São muitos os que perderam o emprego, são muitos os que estão sentindo as dificuldades impostas pela instabilidade econômica.

Todo este cenário de complicações e restrições podem abalar e impactar a saúde mental. Levar a outros caminhos que, mais cedo ou mais tarde, podem se tornar fatores de risco para o suicídio.

Não foi fácil antes, não está sendo agora. Por isso, governos, instituições, entidades devem trabalhar no fomento estratégico de intervenções multissetoriais efetivas. Devem incentivar, inclusive, o cidadão comum a refletir sobre o tema e oferecer apoio a quem precisa. Não precisa ser da família para tentar evitar que uma vida seja perdida. O olhar atento pode ir além.

Todo acolhimento pode fazer a diferença. Mas para poder ajudar o primeiro passo é saber como e onde buscar ajuda; quais os canais disponíveis.

Interesse-se pelo assunto. Conhecer é prevenir. Vale a pena. Salvar vidas vale a pena.

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