Editorial

Todos contra um

 

O número de casos confirmados de dengue em Marechal Cândido Rondon e região não são assustadores como em anos atrás, quando uma epidemia da doença foi registrada em muitos municípios do Oeste, contudo, ainda assim, colocam os moradores em alerta. São cinco em Terra Roxa, quatro em Santa Helena, três em Guaíra, um em Assis Chateaubriand e um caso em Diamante do Oeste. Apesar de não haver nenhuma notificação no município rondonense, o índice de infestação, que mede a presença das larvas em criadouros, é hoje de 3,6%, bem maior que o 1% preconizado pelo Ministério da Saúde como tolerável. Ou seja, em cada 100 visitas dos agentes de endemias nas casas, pelo menos em três foram encontradas larvas do temível Aedes aegypti.

Cuidar para não auxiliar a proliferação dos focos de dengue é uma atitude que deve ser encampada por todos, especialmente nos meses quentes e chuvosos do ano, como é o caso que se vivencia agora. Descuidar significa dar chance a tragédias.

Há pouco tempo, entre 2014 e 2015, Marechal Rondon viveu uma de suas piores epidemias, com mais de mil casos de dengue confirmados, inclusive com a morte de uma pessoa em virtude da doença. Foram tempos de medo e angústia, de pavor. Ano mais tarde, “surgiria” o zika vírus e a chikungunya, doenças transmitidas pelo Aedes aegypti e que passariam a atormentar todo o país, dando ainda mais importância ao combate a essa desagradável praga alada.

Muito dessa redução atual no número de casos tem relação com a própria incidência daqueles anos. Depois da infestação, as pessoas, naturalmente, ficaram com medo e se protegeram melhor, dando mais atenção à eliminação de criadouros muito por conta do susto que pouco tempo antes haviam passado. Passada a eufórica campanha, os números reduziram. Também, a própria administração teria ampliado a verificação nos imóveis a partir daqueles casos que se acumularam em 2015 e ampliado o trabalho de conscientização da comunidade sobre a importância do tema.

Mas em um movimento natural (e não ideal), por conta do risco reduzido, as ações preventivas diminuem. Nem a ação fiscalizatória, tampouco a atitude de consciência da população manteve a situação controlada. A infestação, que chegou a 0,2% no ano passado (duas casas em cada mil), já demonstra um relaxo na prevenção. E o pior: os meses de abril e maio são reconhecidos como picos de casos para agravos sazonais, de acordo com as autoridades de saúde pública.

Para traçar bons planos para o futuro é sempre bom rever os erros do passado, aprender com eles e não repeti-los. Relaxar no combate ao mosquito da dengue é um desses erros que a população de Marechal Cândido Rondon e região não pode voltar a cometer. Todos devem estar engajados no mesmo propósito de preservar em dia não somente o seu quintal, mas a saúde pública.

O mosquito está rondando e não está para brincadeira. Se a população descuidar, pode ter o grande desprazer de observar os casos se multiplicarem nos próximos meses. Mais do que nunca, está na hora de ligar o alerta contra o mosquito. Faça sua parte e cobre para que os seus vizinhos façam a parte deles. Todos contra um.

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