Copagril
Editorial

Tomada de três pinos

 

As placas de veículos no padrão Mercosul já estão sendo usadas no Brasil e causando, como não poderia deixar de ser, divergências nas opiniões de motoristas. A justificativa para adotar tais modelos de identificação veicular partem do pressuposto que elas trazem itens de segurança que permitem a melhor rastreabilidade dos veículos, o que dificulta seu uso indevido, como a clonagem, por exemplo. Mas isso poderia ser feito usando o modelo antigo, apenas incorporando novas tecnologias e fiscalizando mais adequadamente a fabricação dessas peças.

Em primeira vista, padronizar as placas de veículos de vários países parece não ser um bom negócio para a fiscalização. Tornar os motoristas “iguais” é um ato equivocado e perigoso. Por outro lado, os motoristas brasileiros perderam a origem, por assim dizer. Agora, não há como saber, a não ser checando o documento, de onde aquele veículo é. Sem a identificação da cidade e Estado do veículo, a sensação de segurança também desaparece.

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Óbvio que saber a origem do carro não garante a segurança das pessoas, mas esse recurso é muito usado para identificar pessoas suspeitas, especialmente em cidades do interior ou de fronteira, como em Marechal Cândido Rondon. Veículos suspeitos observados pelas pessoas, de outras cidades e Estados, geralmente são informados à polícia, mas agora essa tática na tentativa de obter segurança se esvaiu. Pode parecer tolice, mas a checagem da origem do automóvel ou daquela motocicleta suspeita com certeza evitou crimes.

Nos modelos antigos, a própria polícia se valia da origem dos veículos para fazer a fiscalização. Em regiões de fronteira isso é bastante comum. Mas, com os novos modelos, um trabalhador que, por exemplo, tem que passar por um posto policial para ir ao trabalho todos os dias, está sujeito a fiscalizações seguidas. Não que isso chegue a ser ruim, afinal quem não deve não teme, mas parece retrógrado.

O que tem deixado o motorista “p” da vida, ainda, é o custo das placas, que aumentou e, por via de regra, teve que ser absorvido pelo povo. O valor aproximado do par para carros passou de R$ 150 para R$ 250, aumento de mais de 65%. Sem contar aquele embaralhado de letras e números a que vai ser bastante difícil se acostumar. Pior ainda, conforme o ângulo de visão, as letras e números “desaparecem” pelo efeito das listras que existem nos algarismos.

Se as mudanças vão melhorar a segurança dos motoristas e da comunidade em geral é difícil precisar, mas a priori a adoção dessas placas assemelha-se à tomada de três pinos. A mudança, proposta meio que goela abaixo, traz mais dúvidas e questionamentos do que respostas. Fato é que para o cidadão comum ficou mais difícil ficar alerta e mais caro emplacar o possante. É mais uma para a conta do povo brasileiro e de todo o Mercosul. Alguém vai sair ganhando com isso, espera-se que seja o motorista, mas não é isso que parece estar acontecendo. Por enquanto, é só uma tomada de três pinos.

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