Copagril
Arno Kunzler

Triste constatação

Passei os últimos dias observando a movimentação de estudantes ocupando as escolas do Paraná para protestar contra as reformas propostas para o Ensino Médio, pelo governo federal. Mais uma vez um detalhe chama atenção.

Alguém ouviu falar de alguma ocupação de estudantes a alguma escola particular, aqui no Paraná ou no Brasil?

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O que será que as escolhas públicas ensinam tão bem que só os estudantes da rede pública percebem que o projeto de reforma está errado?

O que os estudantes de 14, 15, 16 anos que andaram pelas cidades segurando faixas de protesto, muitos certamente nem leram a introdução do projeto de reforma, que dirá seu conteúdo, e se leram provavelmente não entenderam a metade, sabem verdadeiramente sobre a educação brasileira?

Se é correto dizer e isso não precisa ser especialista para ver, que o ensino público brasileiro está mal, para não dizer péssimo, por que sermos contra qualquer reforma que se propõe?

Não estou dizendo que li inteiro o projeto da reforma proposta pelo governo, nem que ele é o melhor que se possa fazer, mas contestá-lo como está sendo feito não parece, nem de longe, uma contribuição para melhorá-lo.

Se estamos interessados em melhorá-lo, e se alguma coisa está clara para mim, é que precisamos melhorar o ensino público não só no Ensino Médio, mas certamente em outros níveis também, e alguém precisa fazer o começo.

Fazer o começo significa ter uma ideia, colocar ela no papel e propor sua execução.

Se não está perfeita, e isso certamente não está, cabe aos diversos setores do ensino público, dirigentes, estudiosos, professores, alunos e pais de alunos promover uma avaliação de sua praticidade e validade e questionar os pontos considerados inadequados.

Mas no Brasil “bolivariano” estamos nos acostumando a ver outras formas de contribuição, uma contribuição de duvidosa eficácia.

Há pouco tempo, por qualquer motivo, se invadia as sedes do Incra, em outras ocasiões se invadia as concessionárias de pedágio abrindo as cancelas.

Funcionários públicos entram em greve e se os governos não atenderem suas reivindicações, param tudo.

Agora os estudantes ocupam as escolas, como se isso gerasse algum benefício para eles próprios e para o melhoramento da educação brasileira.

Impedir que projetos que desejam melhorar o ensino sejam democraticamente debatidos e implantados é um desserviço à educação e, mais do que isso, à democracia.

Não consigo ver que nesse movimento de ocupação pelos estudantes não há um fundo político que tenta manipular os alunos para prestar outro serviço, que não protestar apenas contra a reforma do Ensino Médio.

É tão evidente isso que só acontece nas escolas públicas e o já cambaleante ensino público sofre mais um triste revés.

Assim não conseguiremos somar forças em favor do ensino público, pelo contrário, estamos dividindo cada vez mais as forças e diminuindo sua qualidade.

Se não houvesse disposição para o diálogo, nenhuma janela aberta para o diálogo, talvez até isso se justificasse, mas não.

O que vemos é o governo implorando para estabelecer o diálogo e os agentes (líder do movimento) colocando em dúvida se vão participar de uma reunião, pois consideram que só a retirada do projeto faça os estudantes desocupar as escolas.

Numa demonstração clara de que vai fazer prevalecer a força das ocupações, como império da lei e desafiando a autoridade do Estado e do Poder Judiciário, contra a tentativa do diálogo.

Olhando de fora, até parece que tem mais gente dentro do setor trabalhando para piorar o ensino público do que gente trabalhando a favor.

Simplesmente lamentável!

 

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