Copagril
Tarcísio Vanderlinde

Um castelo singular

 

Durante o mês de agosto de 2017 segui um roteiro de pesquisas e estudos pelas cidades e vilas que se destacaram como pontos históricos do movimento da Reforma Luterana.

Algo que me chamou atenção foi que a maioria dos lugares históricos associados à Reforma fica na extinta Alemanha Oriental, criação geopolítica que resultou dos desdobramentos da 2ª Guerra Mundial. Diversas marcas daquele período ainda podem ser vistas nesta área da Alemanha.

Casa do Eletricista ESCAVAÇÕES

O emblemático muro de Berlim, já agora desfigurado e com mensagens pacifistas, pode ser visto, fotografado, tocado. Fragmentos do muro devidamente “certificados” são vendidos como relíquias, testemunho de um período que ficará na memória por muitas gerações. Perdi a minha relíquia ainda na Alemanha.

A Alemanha mantém conservados muitos castelos que remontam à Idade Média. Uma visita à Alemanha ficará incompleta sem conhecer ao menos um destes castelos. A tradição diz que no dia 31 de outubro do ano de 1517 Martinho Lutero pregou suas polêmicas teses na “Igreja do Castelo” da pequena cidade de Wittenberg, próxima a Berlim.

Contudo, há outro castelo associado aos Caminhos da Reforma que pode ser considerado ponto geográfico ainda mais importante. No Estado da Turíngia, em uma das colinas próximas a Eisenhach, cidade onde Lutero viveu sua infância, há uma fortaleza que passou a ser conhecida como Castelo de Wartburg.

A construção original está a completar 1000 anos e foi eleita em 1999 como patrimônio da humanidade, um monumento excepcional do período feudal na Europa central, estando ligado a valores culturais de importância universal.

Diferentemente de outros castelos, que têm sua história marcada por conflitos militares ou sonhos megalomaníacos de algum fidalgo, Wartburg é marcado por eventos pacíficos, lugar para poesia, música e produções culturais.

O castelo foi renovado ao longo da sua existência com muitas construções mais antigas a servirem de base a outras mais recentes. Entre 1952 e 1966, por exemplo, o governo da Alemanha Oriental já havia procedido restauros que devolveram a estrutura ao aspeto que tinha no século XVI, incluindo o quarto de Martinho Lutero com o seu pavimento e paredes apaineladas originais.

Após ser banido pelo imperador Carlos V durante a Dieta de Worms, em 1521, Lutero é levado secretamente ao castelo onde permanece incógnito sob o pseudônimo de junker Jörg (cavaleiro Jorge).

Durante o período que aí se refugiou, Lutero se dedicou a traduzir o Novo Testamento para o alemão com o intuito de que a leitura bíblica pudesse ser acessível e popularizada.

O trabalho de tradução acabou se tornando a obra mais importante na vida do monge inconformado. Entre outras narrativas, o esforço de Lutero acabou incluindo o castelo singular na história da cristandade.

 

O autor é professor da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

 

TOPO