Copagril
Elio Migliorança

Um dia no futuro

Relatos de uma mãe que visita o filho na cadeia revelam a tragédia de um sonho familiar. Quando um filho nasce, os pais sonham com um futuro brilhante, em que realização profissional e felicidade são necessárias para que o sonho se realize. Mas não raras vezes o que era sonho vira tragédia. E nestes casos é comum olhar para o passado tentando entender em que momento ocorreu o erro que desviou o projeto, transformando-o num fracasso.

É bom deixar claro que nem sempre o sucesso é sinônimo de fama e dinheiro. Há muitos projetos de vida em que as pessoas são felizes mesmo sem grandes quantias em dinheiro. Há um dia no futuro de cada um em que olhamos para trás para saber onde e por que erramos. Há decisões que repercutem por muito tempo e há outras que são irreversíveis. O passado não pode ser modificado. Mas os erros do passado podem nos ensinar a acertar no presente para melhorar o futuro.

Certamente aquela mãe que está entrando no presídio para visitar o filho, se tivesse a oportunidade de voltar ao passado e recomeçar, faria algumas coisas diferentes. Para ela, a colheita foi desastrosa, mas está colhendo o que semeou. Com eleições não é diferente da vida familiar ou pessoal. Decisões equivocadas podem criar um monstrengo que vai nos devorar no futuro. E se nem sempre somos nós que sofremos as consequências destas decisões equivocadas, nossos filhos e netos receberão esta herança. Nada mais oportuno então que se faça uma reflexão, já que está em nossas mãos o poder da decisão. Todo cuidado é pouco diante daquilo que está em jogo.

Despido das paixões partidárias, sugiro que cada um faça sua avaliação, pesquise passado, contradições, leve em conta o histórico de cada candidato(a), as promessas da última campanha e o que foi cumprido durante o mandato para aqueles que são candidatos à reeleição, quem está envolvido em esquemas de corrupção e de que forma cada um conduziu a sua campanha. Se o plano de governo de cada um se fundamentou em projetos ou em críticas aos adversários. Tudo isso deve ser levado em conta para que a decisão de hoje não se transforme em arrependimento no futuro. Certamente se cada um pensar que o que faz hoje representa o passado no dia de amanhã, e pense na sua reação ao olhar amanhã para o dia de hoje, isso pode contribuir para que a decisão não se fundamente no que eu gostaria de fazer e sim no que eu devo fazer. Aquela mãe que está entrando no presídio, ao olhar para o passado, deve se questionar pelas vezes que apoiou seu filho em pequenos delitos, em desobediência e desrespeito à lei e à ordem, em que o defendeu quando agrediu alguém ou pagou uma propina para escapar de uma multa, ao culpar um professor pelas notas baixas se o motivo real foi não ter estudado. Defender o erro é um equívoco que pode levar a consequências trágicas. É assim também com o processo eleitoral. Mesmo que cada um ache que o seu voto não faz nenhuma diferença é bom saber que o resultado de uma eleição é construído com a soma de cada voto. Que a nossa decisão seja tal que ao olharmos um dia para o passado, mesmo que o resultado não seja aquele que esperamos, possamos dizer a nós mesmos: eu fiz aquilo que acreditei ser o mais correto e o melhor para o futuro.

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