Copagril
Dom João Carlos Seneme

Um samaritano chegou perto dele movido pela compaixão

O Evangelho deste domingo nos apresenta a parábola do bom samaritano. A parábola, nos evangelhos, é um meio de narrar os acontecimentos da vida e meditar profundamente sobre eles para descobrir o que Deus nos propõe. Jesus se dirige a Jerusalém para o grande momento da revelação infinita do amor de Deus: através de sua morte e ressurreição, Ele realizará o projeto salvador de Deus para toda a humanidade.

Por isso esta viagem é tão importante no evangelho de São Lucas. Durante o trajeto, Jesus vai ajudando seus discípulos e as pessoas que o seguem e o respeitam a compreender melhor a boa nova do Reino. As pessoas se aproximam de Jesus e fazem perguntas que revelam problemas reais que afligem as comunidades daquele tempo. Hoje, um doutor da lei se aproxima e pergunta: “O que devo fazer para ganhar a vida eterna”? Jesus aproveita a situação para ajudar a compreender melhor o projeto de Deus de salvar a humanidade.

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O escriba pede algo impossível. Ele deseja um meio de garantir a vida eterna, a salvação e quer que Jesus lhe diga o que fazer. A tradição religiosa daquele tempo colocava limites para o relacionamento com o próximo. Seguir a lei dava garantias de ser um bom religioso e garantir um lugar no céu. Jesus contradiz esta mentalidade. Quem concede a salvação e a vida eterna é Deus; não existe uma “receita” pronta que nos dê certezas de que vamos conseguir a vida eterna pelas nossas próprias forças. Porém existem escolhas e comportamentos que nos dão indícios que estamos no caminho certo. Deste modo, Jesus apresenta a parábola do bom samaritano como meio de reflexão para conduzir à conversão e mudança de mentalidade.

Por isso a parábola se torna significativa principalmente pelo comportamento dos personagens. O sacerdote e o levita, que prestavam serviço no templo, evitavam encontrar-se com o homem caído por terra com medo de tornarem-se impuros e não poderem exercer o serviço no templo. Valorizavam mais a lei do que um ser humano em dificuldades.

O samaritano, ao contrário, considerado pelos outros, impuro e sem religião, é movido pela compaixão, aproxima-se do homem ferido e o trata como um irmão: “Fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele”.

Finalmente, Jesus responde aos seus interlocutores apontando o caminho para a vida eterna: o único meio para obter a vida eterna é fazer-se dom para os outros. Doar a própria vida pelos outros. O sacerdote e o levita se colocam ao lado de quem feriu aquele homem, preferem deixá-lo morrer; o samaritano salva a sua vida. Amar o próximo é ajudá-lo a viver, oferecer-lhe os meios para viver. Amar o próximo como a si mesmo é tratá-lo como ser humano, considerá-lo um filho. Só assim poderemos pedir que Deus nos trate como filho e nos faça herdeiros da vida eterna. Somos chamados a repetir o gesto solidário do bom samaritano, socorrendo as pessoas necessitadas. Cristo, o Senhor do universo, que doou sua vida por todos, nos ensine a viver a compaixão, a misericórdia, a gratuidade sem medidas.

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