Pref. MCR Novembro Azul.
Dom João Carlos Seneme

Uma grande luz brilhou para todos os povos

No evangelho deste domingo (26), Mateus, retomando uma imagem do livro do Profeta Isaías, nos diz o que Jesus significa para nós: a luz. Muitas vezes em nossas vidas vivemos situações de escuridão, trevas, dificuldades, tarefas não resolvidas que se acumulam diante de nós, problemas com os filhos, solidão…
No meio desta situação difícil a boa nova do evangelho chega até nós e chama a nossa atenção para olhar para a luz com que Deus ilumina a nossa vida. Ele nos enviou Jesus para partilhar conosco nossas fragilidades e nos apontar um caminho novo, de vida plena que se encontra em Deus: “O povo que estava nas trevas viu uma grande luz, para os habitantes da região sombria da morte uma luz brilhou”.
Jesus já adulto inicia a sua missão propria-mente dita: sai de Nazaré e vai viver em Cafarnaum, cidade situada às margens de um enorme lago na região da Galileia, conhecido pelo nome de mar da Galileia, lago de Genesaré ou lago de Tiberíades. Ali ele vai formar seu grupo de colaboradores; homens simples, pescadores, que se tornarão os apóstolos de Jesus, com a tarefa de acompanhar Jesus onde quer que ele vá e aceitar participar da missão de Jesus de libertar as pessoas do mal. Nota-se a pronta resposta das duas duplas de irmãos que revela o poder de atração de Jesus. Inicia-se a missão cristã: ensinar, anunciar a boa-nova e agir: “Jesus percorria toda a Galileia ensinando nas sinagogas, anunciando a boa-nova do reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo”. A preocupação de Mateus não é geográfica. A Galileia é uma região com uma população mesclada e ponto de encontro de muitos povos. Cafarnaum era considerada a Capital judaica da Galileia. A sua situação geográfica facilitava o contato com os territórios dos povos pagãos. Jesus inicia sua missão na Galileia para evangelizar o mundo inteiro!
Este chamado também é feito a nós hoje. A história do compromisso de Pedro e André, Tiago e João com Jesus e com o “reino” é uma história que define os traços essenciais da caminhada de qualquer discípulo. Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que é Jesus que chama e que propõe o reino; em segundo lugar, é preciso ter a coragem de aceitar o chamamento e fazer do reino centro da vida (o que pode implicar, até, deixar para segundo plano os afetos, as seguranças, os valores humanos); em terceiro lugar, é preciso acolher a missão que Jesus confia e comprometer-se corajosamente na construção do “reino” no mundo. O Reino dos Céus não é conquistado pela violência, vingança, destruição; mas chega-se a ele através do amor, da doação da vida, da comunhão fraterna, da tolerância, do respeito pelos outros. Por isso exige o empenho de todos nós. O caminho não é fácil de percorrer, mas é possível. Deus, através de Jesus, garante-nos a certeza de caminhar conosco; é preciso acreditar e aderir ao seu projeto salvador.

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