Editorial

Uma moeda tem dois lados

Manchetes sobre o novo coronavírus e seus números crescentes ao redor do mundo estão em todo lugar. Mortes e infectados recheiam os títulos das páginas noticiosas ao redor do mundo e nas redes sociais. Pessoas pró e contra o presidente Jair Bolsonaro se digladiam a todo instante. Xingamentos e troca de farpas são constantes.

No Paraná, a pior seca da história, que mudou a paisagem, como fotos e vídeos mostram a seca no Rio Paraná, em Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai. A agricultura no Oeste do Estado teme perdas que podem chegar a 50%.

Casa do Eletricista – TORNEIRAS ELÉTRICAS

Ainda, o Paraná vive outra epidemia, com mais de 60 mil infectados pela dengue. O número de mortos também é recorde. As notícias sobre a doença assustam comunidades inteiras, como Marechal Cândido Rondon, com 1.804 casos confirmados (e outros tantos não notificados).

Mas é preciso que em momentos de bombardeio de notícias ruins, as pessoas olhem também para o que tem acontecido de bom neste cenário complexo, inédito e desafiador que o mundo experimenta.

Em Marechal Cândido Rondon já é possível abastecer o carro a menos de R$ 4 o litro da gasolina e a menos de R$ 2,90 o litro do álcool. Comerciantes e a ampla população aderiram ao uso da máscara, que pode reduzir o contágio entre as pessoas. Na Itália, vacinas contra o coronavírus têm demonstrado resultados muito satisfatórios. Bilionários pelo mundo investem contra a doença. No Brasil, o Itaú Unibanco doou R$ 1 bilhão para o combate à Covid-19. Cerca de R$ 2,5 bilhões que haviam sido surrupiados com a corrupção, recuperados pela Lava Jato, são destinados a combater a pandemia.

Ainda em Marechal Rondon, os dois pacientes infectados com o coronavírus já estão curados. Não há mais casos confirmados. No município, o número de roubos e furtos e crimes de maneira geral despencou cerca de 70%, assim como caíram as ocorrências de acidentes de trânsito.

A qualidade do ar nas grandes cidades do Brasil e do mundo melhorou com menos carros, menos aviões e menos navios em circulação. Em quarentena, as pessoas voltaram a fazer coisas básicas que o frenético dia a dia moderno impede, como brincar com os filhos ou cozinhar em família. As celebrações religiosas ganharam as redes sociais.

Soluções criativas, como o ventilador mecânico criado por uma empresa de Marechal Cândido Rondon, pipocam em todos os lados do país. Comunidades se mobilizam para arrecadar e distribuir alimentos aos mais necessitados. Cantores sertanejos usam fama para arrecadar alimentos e produtos de higiene com as “lives” que viraram moda e distribuir aos mais pobres.

Em São Paulo, uma idosa de 97 anos recebeu alta após vencer a Covid-19. Na internet, profissionais de educação física, médicos e outros agentes ligados à saúde dão dicas gratuitas de como manter a saúde física e mental durante o período em casa.

O coronavírus deu à humanidade uma oportunidade única de pensar, refletir como a sociedade global está levando sua vida.

Como em uma moeda, tudo na vida tem dois lados. É preciso olhar para um, mas sem esquecer de olhar também para o outro.

 

TOPO