Silvana Nardello Nasihgil

Vamos conversar sério?

Venho observando de modo muito acentuado um aumento crescente de desentendimentos entre as pessoas. São pais com filhos, filhos com pais, irmãos, amigos, colegas de trabalho, avós, ficantes, casais e em todos os tipos de relações. O que antes passava desapercebido e não se dava importância, hoje parece que tomou um novo contorno, potencializando o individualismo no ritmo “salve-se quem puder!”.

Muito dos comportamentos em descompasso se devem às angústias experienciadas nesse “novo” modo de viver; os ânimos vão baixando, a paciência acabando, a convivência se estreitando, o dinheiro encurtando, as incertezas batendo forte, movendo, muitas vezes, mais os instintos do que a razão e trazendo a desesperança. Sabedores disso, é hora de observar o que estamos semeando nesse tempo de dúvidas e espera, porque logo isso vai passar. E o que será que iremos colher? O que estamos plantando, sem dúvida!

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Em um período onde tudo é atípico, importa muito pensar as nossas atitudes, o que realmente está sendo da nossa consciência, o quanto estamos permitindo que o pior de nós aflore sem nos darmos conta que, ao invés de criarmos laços, podemos estar atando nós.

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Talvez nunca tenhamos tido tanto tempo para podermos organizar a vida, pensarmos sobre as nossas relações, sobre o valor das pessoas em nossas vidas e sobre o futuro que esperamos viver.

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Vejo corações sofridos, entristecidos, pesados, despedaçados e mesmo assim presos em um egoísmo descabido, um vácuo existencial como que se nada tivesse jeito ou pudesse ser mudado.

Precisamos lembrar: muitas das mudanças que queremos podem estar no movimento que depende de nós e que só nós podemos fazer. Se deixarmos que a vida nos paralise dentro daquilo que não nos faz feliz, viveremos estáticos sem saber que muitas vezes basta uma atitude nossa para que se mude por completo aquilo que tanto sofrimento nos traz.

Talvez seja o momento de procurarmos entender aquilo que nos magoou, que nos feriu, aquilo que viemos creditando ao outro o papel de vilão do nosso infortúnio.

É hora de buscarmos a nossa parcela de colaboração no descompasso da vida, de tomar também para nós a responsabilidade das dificuldades hoje enfrentadas.

Diante dessa reflexão, quais as virtudes que deixamos de exercer e de enxergarmos em nós e nos outros?

Por que quando nos damos como certos em tudo deixamos de observar aquilo que precisa ser feito para que as relações se mantenham? Será que assim é mais fácil viver, quando imputamos ao outro tudo de ruim que nos acontece, nos livrando das culpas?

Chega uma hora que a vida precisa ser olhada de frente, encarada dentro das verdades e precisamos crescer. Esse crescimento exigirá de nós maturidade emocional, pois ele trará respostas para “a criança” que habita o nosso interior e que, muitas vezes, por birra nos mantém em um espaço de conforto, nos tirando a paz e o direito à felicidade.

Chega uma hora em que a vida precisa fluir, então se faz necessário nos questionarmos: o que temos feito que nos fez perder a empatia, a coragem, integridade, disciplina, honestidade, respeito, senão de justiça, lealdade, tolerância, paciência, otimismo, bondade, altruismo, alegria, compaixão, amizade, gratidão e amor?

Por onde tem andado o nosso desejo de fazer a vida dar certo?

Se no coração existir algo que precisa ser mudado, dores a serem curadas, medos, perdões a serem pedidos e concedidos, angústias, dificuldade de se humilhar, incapacidade de se colocar no lugar do outro, e mesmo assim você continua achando que toda a culpa vem do outro, seria muito prudente repensar o viver.

A vida não vai esperar que se resolvam todas as nossas demandas para só então findar. Precisamos ter consciência disso, urgentemente.

A vida é um sopro e hoje, agora, sim, agora, dá tempo de fazer uma nova história, dá tempo de deixar os “mimimis” de lado e de buscar os acertos. Ainda dá tempo de ressignificar absolutamente tudo, de buscar as respostas que não temos, de acolher, abraçar, falar, ouvir, beijar e de ser feliz.

O amanhã é incerto e muito do que não fizermos por orgulho, falta de atitude, falta amor próprio e falta de amor pelo outro, tem possibilidade de nunca acontecer.

Amanhã é outro dia… e a vida segue sem nos perguntar em que estação queremos parar. Uma hora simplesmente seremos desembarcados sem a chance de olharmos para trás.

Pensa nisso e escolha ser inteiro(a). A felicidade tem urgência de lhe encontrar; dê essa chance a ela.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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