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Silvana Nardello Nasihgil

Vamos falar de abuso e violência?

É muito provável que todos nós conhecemos alguma história de abuso. Algumas pessoas não só ouviram, como já viveram isso, ou são reféns de situações que as fazem sofrer, diminuindo, desmerecendo, sofrendo dores emocionais, psicológicas e até físicas. Diante de tantas coisas horríveis, precisamos falar a respeito, tomar consciência das razões que levam tantas pessoas a viverem verdadeiros infernos.

Quando uma criança cresce em um ambiente onde falta acolhimento, respeito e amor, onde são preteridas, cobradas e diminuídas, terão poucos elementos para construírem a sua autoestima. Uma vida rodeada por brigas traz inseguranças e medos, sendo que o ser humano em construção encontrará um vácuo, não conhecendo nada diverso do que a desconstrução constante e o pouco valor dado aos seus sentimentos. Então, crescerá se sentido inútil e desnecessária.

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Nesse processo todo, chega à vida adulta “encolhido”, compreendendo-se como alguém que não tem o direito de ser amado(a) e sentindo não merecer uma vida feliz.

Escolhi escrever esse texto para refletirmos a respeito dos abusos e violências domésticas. Faço aqui um recorte e vou me referir à violência e ao abuso sofrido pelas mulheres, porque elas são de longe as que mais enfrentam essa situação.

A quase totalidade da violência e dos abusos sofridos não acontece com mulheres seguras de si, mulheres que foram amadas, respeitadas, que tiveram em suas famílias espaço para falar de si, para opinar, que cresceram sendo ouvidas e acolhidas. Mulheres assim são bem resolvidas e escolhem o que viver, sempre buscando aquilo que sabem ser merecedoras.

Nesse contexto todo é preciso observar a vida e como ela está acontecendo. É muito importante questionarmos: que qualidade de vida estamos oferecendo a quem temos a obrigação de cuidar, proteger e ensinar os caminhos? Os comportamentos que temos perante a violência e aos abusos sofridos permitem que os que vêm depois de nós acreditem ser “normal” conviver com essas situações anômalas?

Já passou da hora de observarmos a raiz desse sofrimento. A violência e os abusos não estão ligados somente ao físico, podendo ser de outra natureza: patrimonial, sexual, física, moral e psicológica. Todas elas com poder de causar sofrimentos imensuráveis e grandes danos.

Além de buscar compreender as razões que fazem com que se permita uma vida em que alguém possa subjugar desmedidamente, muitas mães sequer compreendem que estão permitindo que suas filhas repitam o mesmo comportamento, aceitando no futuro serem vítimas de abusadores.

Chega uma hora que se faz necessário reagir diante daquilo que tem sido colocado como consolo e destino, porque a vida é feita de escolhas e escolher ser feliz é o mínimo que cada um pode fazer por si.

Enquanto a vida segue a mente vai se enchendo de questionamentos, e o mais frequente é esse: como fazer para proteger as nossas meninas contra o abuso e a violência? Começando pelas nossa atitudes perante a vida é aqueles que ousarem nos desrespeitar. Ensiná-las a priori pelo próprio exemplo e em seguida pela palavra. Conversar muito e auxiliá-las a se respeitarem e se amarem acima de qualquer coisa. Para que isso aconteça e que cresçam sabendo se defender, precisarão ser amadas e respeitadas. Essa é a primeira coisa que devemos ter muito firme em nós.

Então a vida vai além… quando somos os terceiros na vida de algumas crianças – por exemplo: parentes, professores, amigos – e quando conseguimos perceber que algo de estranho esteja acontecendo, não podemos nos fazer de cegos, surdos e mudos, porque, muitas vezes, seremos a única ponte entre o sofrimento e a salvação dessa criança.

O que podemos fazer diante dessa situação? Chamar os pais para uma conversa, alertando-os sobre as percepções, em paralelo acolher essa criança, buscar ouvi-la, porque ela precisa saber que não está sozinha. Na dúvida de não saber como proceder, se em ambiente escolar, encaminhar à psicóloga ou alguém habilitado para saber como lidar com algo tão delicado. Enfim, existem muitos caminhos, o único que não podemos permitir é se calar e fingir que nada está acontecendo.

Precisamos acreditar que viver vai muito além de se permitir viver na escravidão de sofrimentos colocados por alguém. Precisamos acreditar que para tudo existe uma saída, porque existe, sim!

Acreditando nisso é preciso tomar atitudes, sair da estagnação e buscar as mudanças necessárias, buscar uma vida saudável em que haja respeito, paz e onde o amor tenha como base o seu verdadeiro sentido, de acolher e proteger.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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