Copagril
Dom João Carlos Seneme

Vede minhas mãos e meus pés: sou Eu mesmo!

No Evangelho de amanhã (19), os discípulos que iam a Emaús contam aos outros discípulos o que aconteceu com eles no caminho: como eles reconheceram a presença do mestre ressuscitado no momento em que Ele partiu o pão.

Desta vez Jesus se manifesta a todos reunidos no cenáculo em Jerusalém. Ele os encontra desanimados, com medo e dúvidas; chegam a pensar que se trata de um fantasma! Não podemos julgá-los. A situação os leva a este comportamento. Além disso, eles ainda não fizeram o encontro pessoal com o ressuscitado. Até agora só ouviram falar o que aconteceu com os outros. O reconhecimento de Jesus ressuscitado não se dará mais através do seu rosto, de suas palavras, mas, especialmente, através dos sinais do seu amor: os estigmas (a marca dos pregos), a partilha do pão, símbolo da eucaristia. Porém, Jesus não é um fantasma, Ele é real, Ele tem um corpo. Jesus tem consciência da dificuldade dos apóstolos em aceitar esta nova realidade de sua presença. Os apóstolos não conseguem compreender o que significa a ressurreição. Por isso, Jesus vai se manifestando aos poucos, no contexto da vida deles.

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A maior lição que podemos aprender hoje é que o mesmo Jesus caminha conosco. Ele conhece nossas fraquezas e preocupações diante do mal que nos circunda. Semelhantes aos discípulos, nossa tendência é nos fechar, trancar nossas portas e tentar nos proteger. Queremos ficar dentro de nossas comunidades, longe das dificuldades do mundo.

O Senhor se aproxima, ajuda-nos a enfrentar nossos medos e nos convida a ser suas testemunhas. Como aos discípulos, suas primeiras palavras são uma mensagem de paz. Quando a amargura e ansiedade querem tomar as nossas forças, Ele nos tranquiliza e nos dá coragem. A paz que Ele traz nos dá vida nova.

Esta bela experiência dos apóstolos e nossa, quando nos reunimos em comunidade para ouvir a palavra de Deus, comer do seu corpo e do seu sangue, é bem retratada nesta música: “Dá-nos um coração, grande para amar. Dá-nos um coração, forte para lutar. Homens novos criadores da história, construtores da nova humanidade, homens novos que vivem a existência, como risco de um longo caminhar! Homens novos lutando em esperança, caminhantes sedentos de verdade, homens novos sem freios nem cadeias, homens livres que exigem liberdade! Homens novos amando sem fronteiras, não havendo mais raça nem lugar, homens novos ao lado dos mais pobres, partilhando com eles teto e pão”!

Neste instante nasce a fé no ressuscitado e Ele confia aos seus discípulos a missão de ir e anunciar: “Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as escrituras”, e lhes disse: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sereis testemunhas de tudo isso” (Lc 24,45-48). Esta responsabilidade também é nossa e nos foi dada no dia de nosso batismo: como os apóstolos, depois do dia de Pentecostes, tornaram-se ardentes e corajosos anunciadores da boa-nova de Jesus Cristo, nós devemos continuar esta missão.

Nesta Páscoa fomos convidados a renovar nossas vidas e de nossas comunidades cristãs. Todo domingo é dia de festa e de alegria. Como aconteceu com os apóstolos, Jesus está no centro da comunidade reunida em seu nome. É ali que renovamos nossas forças. Precisamos deste momento. Vivemos em um mundo que perde o rumo, que é capaz do melhor e do pior e está procurando desesperadamente a direção certa a tomar. É neste mundo que somos enviados para ser testemunhas do amor e da alegria de Deus.

Neste dia peçamos ao Senhor ressuscitado: abra nossos corações para entender as escrituras. Faz de cada um nós testemunhas e mensageiros do amor que há em vós. Amém.

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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