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Ventos do Norte

A região Oeste do Paraná tem sua maior fonte de renda originária da agropecuária, matéria-prima que, uma vez industrializada, contribui para alimentar mais de 180 países, irrigando, assim, o bolso dos produtores e impulsionando o desenvolvimento regional.

Embora todos tenham sofrido o impacto da pandemia em curso, as atividades econômicas na região estão em franco desenvolvimento. E para uma região baseada na agricultura, ventos do Norte são auspiciosos, pois trazem chuvas que correm nas veias capilares da produção, já que sem água não existe vida e tampouco colheitas. Mas os ventos do Norte a que se refere o título deste artigo não são auspiciosos, geram preocupação e servem de alerta para todos aqueles que planejam expandir seus negócios aumentando a produção.

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Do grande ao pequeno produtor hoje só sobrevive na atividade agropecuária quem administrar com competência e planejamento adequado os seus negócios. Pois bem, bem ao Norte do continente americano sopram ventos que devem nos alertar para possíveis solavancos no futuro. Está em andamento no Hemisfério Norte a 59ª eleição presidencial que elegerá, no dia 06 de novembro próximo, o presidente do mais poderoso país do mundo, os Estados Unidos da América. Dois candidatos concorrem ao cargo: o atual presidente Donald Trump e o seu concorrente democrata Joe Biden. Quem for eleito tomará posse no dia 20 de janeiro de 2021. E por qual motivo os produtores rurais do Sul do Brasil precisam estar atentos a isto?

É porque o resultado daquela eleição pode no ano que vem impactar os nossos negócios por aqui. A política praticada pelo atual presidente Donald Trump foi de claro confronto com o maior mercado consumidor dos produtos brasileiros, a China. Donald Trump governa o país que é o maior produtor de soja do mundo e também o maior produtor de aves do mundo, dois produtos que representam o alicerce da agricultura do Sul do Brasil.

Com sua política belicosa em relação à China, Donald Trump empurrou os compradores chineses para o mercado brasileiro e nós vimos nossas exportações crescerem a tal ponto que tanto o frango quanto a soja alcançaram preços inesperados para todos os produtores. Se o resultado da eleição nos Estados Unidos seguir o que as pesquisas apontam, o próximo presidente será Joe Biden, enquanto Trump será despachado para a galeria dos ex-presidentes. Neste caso, a política econômica daquele país sofrerá uma reviravolta e as relações comerciais com a China e com outros mercados consumidores interessantes serão restabelecidas e com isso os preços dos produtos que exportamos poderão cair significativamente. Com isso, todos os investimentos planejados e executados neste ano podem consumir uma parcela maior da renda do produtor, com sério risco de falência do produtor rural.

É um momento que requer muita prudência, análise criteriosa dos projetos de novos investimentos, procurando sempre orientação profissional disponível nas entidades e associações que representam os diversos segmentos da agropecuária. Se caminharmos com esta segurança, os ventos do Norte podem até trazer tempestades, mas nossa atividade produtiva estará assentada sobre a rocha de um planejamento sólido com a segurança da força de trabalho e espírito empreendedor do homem do campo, uma das marcas registradas desta região.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

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